Por Pe. Hermes A. Fernandes
Eu acredito em milagres. Não no sentido “Mágico de Oz”. Não ao nível das películas de Steven Spielberg, onde fogos, raios e trovões – efeitos especialíssimos – são usados para exemplificar a Graça. Penso que Deus seja mais simples. Ele que escolheu a simplicidade da Manjedoura e o abandono da Cruz, não optaria por triunfalismos. Mais: penso que triunfalismo seja um vício humano, não estilo de ser divino.
Milagres: creio neles. Vejo-os sempre. Quando alguém deixa o lugar do eu, pelo nós, do egoísmo à cooperação, da mesquinhez ao altruísmo; vejo a ação de Deus. Quando alguém, perdido na dependência química – nas cracolândias da existência – encontra apoio, acolhimento e libertação desta lancinante opressão; vejo o agir de Deus. É milagre. É ação da Graça.
Esta reflexão me reporta à História do Profeta Elias. Quando Jezebel, a rainha tirana na Bíblia, reclamara a vida de Elias por vingança, este fugiu. No Horeb, foi-lhe pedido que estivesse à porta da caverna, aguardando o Senhor passar. Veio um vento forte, mas Javé não estava nele. Depois um terremoto e, tampouco, nele estava Deus. Em seguida, o fogo. Nem esse continha Javé. Por fim, uma brisa leve. Elias cobriu sua face, pois em uma brisa leve estava a Palavra de Javé. (Cf. 1Rs 19,11-13). Deus não esteve no estrondo. Fez-se Verbo na Brisa leve.
Somos tentados a esperar Deus em grandes manifestações. Estamos viciados em um modelo de Deus contraditório à sua natureza: a humildade. Deus é simples, terno e fraterno. Não permite permuta em sua Graça. Não tiraniza seus filhos. Está na brisa leve, no afago, no sussurro. Aos gritos, não podemos encontrá-lo. Devemos falar a língua dele: simplicidade. Não a humana: arrogância, prepotência, pecunialismo.
Deus não se vende. Dá-se, voluntariamente. A História de Deus e seu Povo é uma Epopéia de Amor. Amor de aliança, de Cruz. O milagre de Deus é Ele mesmo. Deus é, isto basta! (Cf. Ex 3,14).
Creio em Milagres. Vejo-os sempre. Na misericórdia de um Deus amante.
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