Frei Jacir de Freitas Faria, OFM – Biblista – é um velho conhecido de nosso blog. A quem agradecemos efusivamente sua colaboração. Sua contribuição para o conhecimento da Palavra de Deus muito tem significado para nossas comunidades. É Doutor em Teologia Bíblica pela FAJE (BH). Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de Exegese Bíblica. É membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze
Nesta publicação compartilhamos artigo do referido autor, no qual nosso célebre estudioso da Bíblia Canônica e Textos Apócrifos elucida muitas de nossas dúvidas sobre a Topografia Bíblica. Não perca essa oportunidade de se aventurar no universo bíblico.
Sem mais, boa Leitura!
ENTENDENDO A BÍBLIA
Por Frei Jacir de Freitas Faria, OFM
Topografia e geografia do mundo bíblico
Conhecer a Bíblia é também compreender o ambiente cultural e geográfico em que ela foi escrita. De modo especial, queremos convidar você, caro(a) leitor(a), a fazer uma viagem a Israel/Palestina de ontem e de hoje.
Situação atual
Terra Prometida ou Terra Santa é o nome que também atribuímos a Israel/Palestina por questões teológicas e bíblicas. A região é uma terra santa para as três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Cada uma delas tem os seus motivos religiosos para tal afirmativa.
O Estado de Israel de hoje foi criado pela ONU em 1948, está situado na parte baixa do mar Mediterrâneo, e tem apenas 28.000 km². Sua localização, desde os tempos antigos, é estratégica, pois está situado entre os continentes africano e asiático, tendo divisa ao norte com o Líbano, e ao sul, com o Egito; a leste, com Jordânia, e ao nordeste, com a Síria. De norte a sul, Israel não passa de 500 km, e de largura (do Mar Morto a Tel-Aviv), 100 km. Israel se situa, propriamente dito, no Oriente Próximo. As maiores cidades de Israel são Tel-Aviv, Jerusalém e Nazaré.
A Palestina, que propriamente não é um estado, é composta de treze áreas dentro do Estado de Israel pertencentes aos muçulmanos e cristãos palestinos, dentre elas: Belém, Jericó, Faixa de Gaza e parte da Samaria. Com a criação do estado de Israel, mais de um milhão de palestinos foram expulsos da região. Os palestinos ainda ficaram ocupando regiões que vão desde as cidades de Tersa a Hebron, e a Faixa de Gaza. Os palestinos dizem que eles eram os cananeus que viviam na região, quando Josué, vindo do Egito, ocupou a região. A Palestina não tem, atualmente, um governo centralizado, mas uma autoridade Palestina, que, infelizmente, não oferece educação, saúde, trabalho para o seu povo. Os muçulmanos que controlam a Palestina são ortodoxos. Eles dizem: primeiro devemos cuidar do Islamismo e somente depois do Estado Palestino. Os judeus não reconhecem o estado palestino. Atualmente, os palestinos estão confinados em áreas e em constantes conflitos com os judeus. Há muro cercando a cidade de Belém. A região dos palestinos de Jerusalém é marcada pela miséria, como exemplo, Betânia. Em certas regiões, os palestinos gozam de direitos da cidadania judaica, em outras, passam fome. É visível na região a riqueza do estado judaico e a pobreza dos palestinos.
Topografia
Israel/Palestina prima pela diversidade de sua topografia em tão pequeno espaço geográfico. O sul da Palestina/Israel, que levou o nome de Judá quando da divisão de Israel em dois reinos, está dividido em duas regiões, a saber:
- Oriente, com os desertos de Judá, do Neguev e da Arabá. Judá. Dois terços do solo de Israel é desértico. Os beduínos vivem no deserto de modo independente, em barracas de lona, utilizando as águas acumuladas das chuvas, explorando o turismo e criando ovelhas para o seu sustento, com o leite, o queijo e a carne.
- Ocidente, com a planície mediterrânea fértil. Destaque para as planícies do Esdrelon, o Sarón e a Sefelá. Grandes indústrias e camponeses produzem cereais e frutas nessa região.
Na antiguidade, a cidade de Hebron era o lugar central de intercâmbio comercial entre o deserto e a planície.
Já o norte da Palestina/Israel, chamado de Israel, quando da divisão dos reinos, é diferente geograficamente do sul. O norte não tem duas regiões, mas dois pilares, a saber:
- Planície. A mais conhecida delas é a de Jezrael, região fértil de grande cultivo agrícola industrial.
- Montanhas. Na Samaria, no centro-norte de Israel, encontram-se muitas montanhas, com destaque para os montes Carmelo (552m) – onde Elias venceu os 450 profetas de Baal – ; Ebal (945m) e Garizim (880m) – lugar do pacto de confederação das tribos de Israel. O terreno é pedregoso e úmido. Perto de Nazaré, encontra-se o monte Tabor (588m) – lugar da transfiguração de Jesus e da vitória de Débora sobre os inimigos de Israel.
Na região sul, destacam-se o monte das Oliveiras (810m) – lugar da agonia de Jesus – e o monte Nebo – onde Moisés avistou a Terra Prometida. Em tempos antigos, e ainda hoje, o norte servia para plantar e produzir as mesmas coisas, cereais e ovelhas. Uma região não necessitava da outra para sobreviver, como o sul. Cada tribo era autossuficiente, no abastecimento e no intercâmbio.
Em se tratando de água, a Terra Santa é banhada pelas praias do mar Mediterrâneo, que os romanos chamavam de “Mare nostrum” – Nosso mar. Já o mar Morto, situado no extremo setentrional do vale do Jordão, recebe este nome por não ter vida aquática. Ele tem peculiaridades únicas no mundo: está localizado a mais de 400 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo; as suas águas oleosas e salgadas não oferecem vida para os peixes; o banhista consegue a façanha de não afundar em suas águas, pois elas são pesadas, jogando o corpo para cima. Israel e Jordânia comercializam o seu sal. O mar morto tem um comprimento de 77 km e uma largura de média de 16 km.
O mar da Galileia ou lago de Genesaré, também chamado de Tiberíades, é o local onde Jesus caminhou sobre suas águas. Ele tem 21 km de comprimento, 14 de largura e está situado a 242 m abaixo do mar Mediterrâneo. O termo mar é usado para designar esse grande lago desde muitos anos.
O rio Jordão nasce da vazão do lago de Genesaré ou Tiberíades. Seu comprimento linear é de 104 km, mas o seu percurso é de 170 km, sendo o maior rio de Israel. Ele é abastecido por águas dos rios Jarmuc e Jaboc e por águas das chuvas e da neve. Seus principais afluentes são os rios Jermon (Banias), Dan e Senir. Ao longo do rio Jordão, encontram-se muitas plantações. O Jordão foi alvo de conflito entre Israel e seus países vizinhos, Síria e Jordânia, por ser um recurso de água e o limite natural entre esses países. Em 1922, o Jordão foi determinado como fronteira entre Israel e Jordânia, chamada então de “Transjordânia”.
O vale do Jordão é tipicamente mediterrâneo, com invernos suaves e verões escaldantes. Nos tempos bíblicos, ele era um dos mais férteis do Oriente, e nele nasceram civilizações antigas. Na atualidade, a região está irrigada por uma vasta rede de diques e canais, que conferem vida à região, com plantações de trigo, flores e hortaliças. O vale do Jordão é sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos. Nele Jesus foi batizado. João Batista aí viveu, e o profeta Maomé o cruzou desde Meca até a mesquita da Rocha, em Jerusalém.
Geograficamente, com o Egito, Mesopotâmia, Fenícia, Síria e Pérsia, Israel faz parte do Crescente fértil. Assim chamado pelo formato de uma meia-lua fértil, que vai do Egito à Mesopotâmia, constituído pelos rios Nilo, Tigre, Eufrates e Jordão. O crescente fértil era o caminho dos povos nômades. Abraão passou por ele, indo para o Egito. O entroncamento dos rios Tigre e Eufrates inspirou as páginas de Gênesis sobre o jardim do Éden, o paraíso sonhado pelo povo de Deus.
O clima em Israel varia entre as estações do verão e inverno. No verão acentuado do mês de agosto, a temperatura oscila entre 20 e 35 graus, passando de 45 graus na região desértica. Já no inverno, sobretudo no mês de janeiro, a temperatura oscila entre 7 e 15 graus. Algumas vezes, a temperatura pode ficar abaixo de zero e pode até mesmo nevar perto de Jerusalém.
Agricultura, fauna e flora
O elemento fundamental para desenvolver a agricultura é a água. Em Israel, a água utilizada para consumo humano e a agricultura provém do mar da Galileia, de fontes como a do Esdrelon, em Jerusalém, do rio Jordão, das águas da chuva, da reciclagem de esgoto, da dessalinização das águas do mar Morto e da importação da Grécia.
Por causa dessa escassez de água na região, o país dedica intensos esforços no sentido de aproveitar ao máximo os recursos disponíveis e na procura de novas fontes de abastecimento. Na década dos 60, todas as fontes de água potável de Israel foram reunidas numa rede integrada, cuja principal artéria, o Conduto Nacional, traz água do norte e do centro do país ao sul semiárido.
Salta aos olhos de qualquer turista a capacidade dos judeus para desenvolver tecnologias agrícolas de irrigação e fertirrigação que transformaram o deserto em terras férteis. Israel desenvolveu a tecnologia do gotamento, ou da gota e do uso de computadores para controlar a ração dos animais, o que faz com que uma vaca produza 60 litros diários de leite. Furou poços artesianos com mais de 500 metros de profundidade, criou canais artificiais de água até o deserto.
Muitos judeus vivem ou já viveram em comunidades agrícolas coletivas, chamadas de kibutz. São mais de 250 deles no país. Outra forma de vida rural em Israel são as cooperativas, em que cada família faz a terra produzir e participa da comercialização dos produtos, e recebem serviços sociais.
Israel produz: trigo; hortaliças, como pepino e berinjela; frutas, como laranja, maçã, banana, melancia, melão, pêssego, manga; pistacchio; tubérculos como a batata-inglesa, etc.
Como consequência da localização geográfica, diversidade topográfica e climática, Israel e Palestina têm uma rica fauna e flora. Mais de 380 pássaros diferentes, cerca de 150 espécies de mamíferos e répteis, como o camelo, usado, desde muito tempo, em larga escala, carneiro, burro, vaca, avestruz, etc. Israel e Palestina contam também com 120 reservas naturais, num total de quase 1.000 km². Vários tipos de plantas e flores nativas embelezam o país, a lavanda, a papoula, o lírio do campo, a mostarda, etc.
Assim é uma das regiões em que a Bíblia foi vivida e escrita. Há também o Egito, a Babilônia – atual Iraque, Itália, etc. Bom, mas a situação geográfica e cultural dessas outras regiões fica para uma outra oportunidade.
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