“Tal Vida, Tal Morte” | Catequeses de Pe. Zezinho

Meu pai Fernando José morreu no dia 24 de fevereiro de 1952. Tinha exatamente 52 anos. Morreu às 18h , quando o sino do Conventinho soava as Ave Marias. Era a hora da benção da tarde .

Lembro-me do fato. Eu tinha 11 anos. Entrei em casa quando minha mãe Dona Valdivina punha uma vela acesa na mão do meu pai paralítico. Morreu em seguida, serenamente como um passarinho. Sofrera dez anos com aquela paralisia progressiva.

Menino ainda, recolhi-me em silêncio no quarto no qual eu dormia, e nada falei até o outro dia, quanto o sepultaram no cemitério do Conventão.

Minha mãe e meus irmãos e irmãs também foram muito contidos. Os amigos que sabiam da doença que lhe carcomia a pele de tanto que viveu sentado e deitado, diziam unanimemente: “o seu Fernando descansou!”

Vi muitas mortes em hospitais e morgues e cresci entendendo que todo mundo um dia morrerá. A maioria dos humanos não passa dos 80 anos, diz a Bíblia !

Uma parte do ministério de padres, médicos e enfermeiras e cuidadores de enfermos ou idosos é ensinar a morrer bem. Também pastores e pastoras sabem o que diz a Bíblia sobre viver e morrer no colo de Deus.

Temos até uma devoção retratara em pintura, lembrando São José moribundo e assistido por Jesus e Maria. E há outra devoção dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte. Ela viu Jesus morrer.

Na tradicional oração da Ave Maria terminamos dizendo :

“Rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.
Nenhum medo.
Só gratidão e esperança!

A lembrança, aos 11 anos, do dia e do jeito que meu pai Fernando morreu ensinou-me a ser sereno diante de centenas de pessoas que vi morrer.

A maioria dos católicos piedosos que conheci foi avisada e entregou suavemente o seu espírito ao Criador !

A maioria dos colegas padres que conheço diz a mesma coisa. “Tal vida, tal morte! A vida é um grande ensaio”.

Pe. Zezinho
In facebook.com/padrezizinhoscj


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