A Opção Francisco: uma lufada de ar e virada profética. 10 anos de pontificado

Por: João Vitor Santos | 11 Março 2023

Desde o primeiro ato, na varanda do Palácio Apostólico, diante da Praça São Pedro lotada, o recém-anunciado Bispo de Roma emitia os primeiros sinais do que haveria de ser seu pontificado. Francisco, que recusa os sapatos vermelhos, ouro em acessórios quase monárquicos, curva-se diante do povo e do mundo, como um sujeito que se põe a serviço.

Muitos se surpreenderam, alguns se emocionaram, e outros olhavam desconfiados, quase sem reação. Mas poucos conseguiram imaginar o que esses primeiros atos significariam para o pontificado. “Aquela cena na varanda naquela noite indicou imediatamente para aqueles com olhos para ver e ouvidos para ouvir que este seria um tipo diferente de pontificado”, diz Nichole Flores, professora de estudos religiosos da Universidade da Virgínia, em reportagem do National Catholic Reporter, reproduzida pelo IHU.

Hoje, dez anos depois, parece ser mais fácil compreender esses gestos tendo em perspectiva outros que ocorreram, como sua primeira viagem oficial, a ida a Lampedusa e o encontro com os imigrantes refugiados.

A coroa de flores jogada ao mar e os olhos sérios para aquela realidade eram como um farol para o mundo. Francisco poderia ter feito um discurso na varanda do Palácio Apostólico, falando da dor dos refugiados e o quanto o Mediterrâneo tem se tornado um grande cemitério. Mas, não. Ele foi até a ilha que recebe imigrantes desesperados e lá, em silêncio, olhou para essa gente e sentiu com eles. Trata-se de um sinal claro de que Francisco, em seu pontificado, é um sujeito de atos, não de discursos.

Papa Francisco em Lampedusa em encontro com refugiados (Foto: Divulgação)

Talvez, esteja aí um elemento central que faz com que Christian Albini, cientista político e teólogo italiano, formulasse a ideia de que aquela efetivamente foi a primeira encíclica, ou primeiro grande “documento” do pontificado de Francisco. “O ministério petrino se despe das suas vestes monárquicas (…) para se tornar encontro com a pessoa humana”, resume, em artigo reproduzido pelo IHU em 2013. 

Colaborou: IHU-Unisinos


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