Proposta pela Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a campanha “Junho Verde” foi sancionada em 04 de Julho de 2022, a partir da lei nº 14.393/2022. Tal lei altera a política nacional de Educação Ambiental e institui um mês temático de atividades e conscientização por ações educativas no que se refere ao meio ambiente.
A lei em seu parágrafo terceiro diz que será observado o conceito de Ecologia Integral, que inclui dimensões humanas e sociais aos desafios ambientais.
Assim temos, como forma de lei, um mês em que todas as esferas: municipais, estaduais, distritais e federais devem promover juntos aos espaços como escolas, igrejas, universidades; ações de conscientização, divulgação, fomento à conservação, entre outras ações sobre o tema da educação ambiental.
Desenvolver uma cidadania ecológica é um processo, e todo processo exige métodos para que seus fins sejam alcançados. O conceito que pode ser utilizado é o da “alfabetização ecológica”, que é inspirado nas teorias de Fritjof Capra, e de outros líderes, que reúnem a teoria e a prática do que há de mais moderno em termos de pensamento sistêmico, ecologia e educacional, com o objeto de alfabetizar, introduzir ao tema, criando pessoas que sejam capazes de sentir, pensar e refletir sobre a natureza e nossa atitudes diante dela.
O Papa Francisco em sua Encíclica “Laudato Si: sobre o cuidado com a casa comum” (2015), nos convida a uma mudança de pensamentos, de atitudes “que nos ajudem a sair da espiral de autodestruição, onde estamos nos afundando.” (Laudato Sí, nº 163).
“Somos chamados a tornar-nos instrumentos de Deus Pai para que nosso planeta seja o que ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projeto de paz, beleza e plenitude.” (LS, 53), a falta de uma cultura do cuidado clama por ações individuais e coletivas para que o projeto de Deus Pai seja realidade em nosso meio. Necessário reconhecer o problema que estamos vivendo em nosso planeta: crises climáticas, escassez e poluição dos recursos hídricos, humildade para aprender e mudar pensamentos e atitudes. Não há como ter uma sociedade que seja capaz de levantar a voz contra tudo o que estamos vivemos, sem que se tenha desenvolvido o conhecimento do assunto e tendo o olhar crítico necessário para este fim.
Há muito a ser ensinado e aprendido sobre o tema. Cada atitude conta, sejam elas individuais ou coletivas. É um caminho de educação, de espiritualidade, de consciência sociopolítica, de transformação social no cuidado da nossa casa comum. Neste sentido, não há como ser cristão, sem ter preocupação com nosso planeta e com todos os seres vivos que Deus nos confiou como guardiões, e estamos destruindo, matando, poluindo; não só o planeta, mas em última instância, a nós mesmos.
Poluímos nossas águas, nossas alimentos com venenos agrotóxicos, exploramos – sem dó nem piedade – os recursos naturais que são de todos e não de grupos privilegiados. Urge a necessidade de se preservar o Bem Comum para nós mesmos e para futuras gerações.
Não podemos continuar com esse sistema que gera desigualdades, excluídos e mortes! Vivemos uma cultura predatória. Uma cultura de morte.
Que se levantem as vozes e atitudes proféticas clamando por Vida e vida em abundância para todos os seres!
Que esse Junho Verde seja um mês de conscientização em todos os espaços possíveis, começando em nossas mentes, nossa casa, nossas pastorais e que chegue a nossa sociedade com atitudes proféticas em busca da construção do Reino de Deus, que é paz, justiça e libertação.
Sobre a Autora
Seny Felix, licenciada em sociologia, pós-graduanda em Dimensão Social da Fé, membro da articulação das Pastorais da Ecologia Integral do Brasil, atuando na Pastoral da Ecologia Integral no Vicariato Jacarepaguá/RJ.
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