Por Pe. Hermes A. Fernandes
Semana passada, presenciamos muitas críticas acerca da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – por ter lançado uma campanha nas Comunidades Cristãs sobre o Junho Verde. Mais uma vez, vozes se levantaram bradando que a Igreja deve se ocupar da salvação das almas e não de questões sociais ou ecológicas. Assim como a leitura da Palavra de Deus deve ser – sempre – atualizada para nossa realidade, a ação pastoral da Igreja deve responder aos clamores do tempo e da história. O contrário disso se faz anacrônico e ineficaz.
O anacronismo é um problema de aplicação histórica. São considerados anacrônicos os pensamentos e atitudes que tentam trazer para a atualidade aquilo que só se aplica em tempo pretérito. Infrutífero e utópico. Fora da realidade. Querer aplicar à atualidade aquilo que ficou no contexto do passado é o mesmo que desejar viajar de São Paulo à Brasília a cavalo, em tempos de rodovias e viagens aéreas. A humanidade evolui. Tecnologicamente, historicamente, humanamente. Se tudo evolui, a Igreja deve acompanhar.
Não são poucos os católicos e católicas que, com espírito de rebeldia, tentam aplicar conceitos cristãos e eclesiais próprios de tempos pretéritos. Criticam tudo que se aplica a uma Igreja sensível à contemporaneidade. Inculturação, teologia que se aplica às muitas demandas sociais, históricas, ambientais: pastoral condizente com nosso contexto. Querem uma Igreja sustentada pelo pensamento dos tempos de São Pio X (1835-1914). Claro que, naquele momento, esta Igreja teve sua necessidade de ser. Se naqueles tempos foi entendido um necessário fechamento, hoje o abrir-se é imperativo. O atual Papa, sob o onomástico do Poverello de Assis, tem em seu discernimento o chamado a uma Igreja pobre com os pobres. Aberta às dores e necessidades do humano. Construtora de paz e dignidade. Plenificação da humanidade, imagem e semelhança do Pai. Nada mais justo. Mais coerente. Repleto do Espírito Santo.
Na era do Espírito Santo, é preciso deixar portas e janelas abertas para o flanar de suas asas. É brisa leve a dar hálito novo. Vida nova.
Os católicos e católicas que sempre estão a esbravejar contra os novos tempos da Igreja têm três alternativas:
1. Produzir uma máquina do Tempo. Voltar séculos atrás e vivenciar uma Igreja condizente com aquela época. Esta Igreja que tanto defendem, mas não existe mais.
2. Adequar-se aos novos tempos. Revestir-se da necessária humildade e reconhecer que somos ovelhas de um só rebanho e, como tais, devemos confiar nosso viver Eclesial aos pastores estabelecidos pelos ministérios instituídos pelo próprio agir do Espírito de Deus.
3. Ou reconhecer-se fora da Igreja. Deixar que ela caminhe como se sente inspirada e afastar-se dela. Não se pode ter a Igreja que se quer. Há a Igreja de Jesus. Ou se sente feliz dentro dela, ou se reconhece fora dela. Melhor um êxodo eclesial sincero, do que uma pertença rebelde, sem sincera comunhão, tornando-se pedra de tropeço aos que, de Boa Vontade, querem seguir Jesus em comunhão.
Precisamos de novos tempos, sem velhos vícios.
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