Catequese e Liturgia – Parte 71: “A ‘Anamnese’ na Oração Eucarística”

Por Pe. Ocimar Francatto

Entre os elementos estruturais da Oração Eucarística vamos refletir hoje a “Anamnese” na Oração Eucarística.

O termo “anamnese” vem de uma palavra grega: anamnesis, que é recordação memorial.  É o não esquecimento: An = partícula de negação + amnésia = esquecimento. Portanto, não nos esquecermos do que Cristo fez por nós. Aqui fazemos a recordação memorial dos principais mistérios do Senhor.

“Cumprindo a ordem recebida de Cristo Senhor, através dos apóstolos, a Igreja faz memória do próprio Cristo, relembrando principalmente a sua bem-aventurada paixão, a gloriosa ressurreição e a ascensão aos céus”
(Instrução Geral sobre o Missal Romano, 79e).

Após a narrativa da última ceia, o presidente da liturgia eucarística anuncia solenemente: “Eis o Mistério da Fé!” E qual mistério que é proclamado no coração da liturgia? “Anunciamos, Senhor, a vossa morte! Proclamamos a vossa ressurreição! Vinde, Senhor Jesus!” Ou, com as Palavras de Paulo: “Pois todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1 Coríntios 11, 26).

É anúncio da Páscoa. É a memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Fazemos memória da paixão do corpo crucificado, sacrificado na cruz. Fazemos memória da ressurreição do corpo incorruptível, cheio de força, corpo espiritual (cf. 1Coríntios 15, 42-44). Fazemos memória do sangue derramado na cruz e da vida que nasceu do lado aberto. Fazemos memória, trazemos presente, atualizamos. O fato passado acontece “hoje”, para nós. É por isso que essas aclamações se chamam “aclamações anamnéticas”, ou seja, que fazem memória da páscoa de Jesus e a tornam presente na celebração.

Proclamamos a morte-ressurreição do Senhor, proclamamos também este mesmo mistério de nossa fé acontecendo em nossa realidade atual. O Cristo continua sofrendo e ressuscitando em cada um de nós.

Toda a realidade futura é evocada e trazida presente: “Até que ele venha!”. Não podemos nos contentar com este mundo do jeito que está! A Eucaristia é para nós fonte de engajamento para uma sociedade justa e fraterna em direção ao mundo que há de vir.

O Missal propõe três fórmulas (exceto Oração Eucarística – V, Reconciliação I e II, com Crianças I, II, III):

Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

Ou

Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!

Ou

Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição.

O terceiro texto: “Salvador do mundo…” infelizmente não é propriamente uma aclamação; é mais uma oração devocional, um pedido, uma súplica. Não tem a força aclamativa dos dois outros textos.

É muito conveniente que esta aclamação seja cantada para exprimir melhor seu sentido, mesmo que o presidente faça rezado o “Eis o Mistério da Fé!”, convém cantar a aclamação. Toda aclamação se faz em pé, por isso esta é a posição de nosso corpo neste momento.

Colaborou: Diocese de Limeira


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