Por Pe. Hermes A. Fernandes
Em tempos de avanço galopante das tecnologias, sobretudo das comunicações virtuais, novos grupos humanos surgem a cada dia. Vivemos em tempos de informações e relações líquidas, como nos alerta Zygmunt Bauman, nos quais fica difícil acompanhar o novo que se nos é oferecido. A cada dia, pessoas se dedicam a multiplicar na rede (web), o que se apresenta como o assunto da vez. Quando não se tem algo a dizer, se inventa. E quando a criatividade falha, atacam os que – por vezes – se dedicam a multiplicar na rede o que poderia contribuir como informação e formação. Tudo em nome de mais cliques, mais engajamento. Atrás de um computador ou smartphone, verdadeiros especialistas em confundir incautos ou atacar pessoas de boa vontade. Entre esses novos grupos da vilania virtual, estão os Haters.
Segundo o conceito, Haters é uma palavra de origem inglesa e que significa “os que odeiam” ou “odiadores”, na tradução literal para a língua portuguesa. O termo hater é bastante utilizado na internet para classificar pessoas que praticam “bullying virtual” ou “cyber bullying”. Basicamente, o hater é uma pessoa que simplesmente não está feliz ou satisfeito com o êxito, conquista ou felicidade de outra pessoa. Assim sendo, prefere “atacar” e “criticar” o indivíduo, expondo-o a palavras ou situações comprometedoras publicamente, criando fakenews sobre essa pessoa, ou desvalorizando as ações e vitórias do “alvo”. O hater pratica o ato de odiar alguma coisa ou alguém, e, esta expressão, não está diretamente relacionada com a inveja, pois os haters não desejam ser ou possuir algo de alguém, mas sim apenas criticar e desvalorizar outra pessoa perante seu grupo social. O principal alvo dos haters são figuras públicas. As redes sociais são as principais ferramentas de “ataque” dos haters. Aquele ou aquela que conquista alguma visibilidade na web, é – potencialmente – alvo dos haters.
O que este conceito ou grupo humano tem em relação com a Igreja Católica? É fato que passamos grande parte de nossos dias diante de aparelhos eletrônicos conectados à internet. No trabalho ou lazer, fazemos uso da conectividade como artifício potencialmente positivo para nossas vidas. Sites e redes sociais que se dedicam a temas religiosos não faltam. No Facebook, Instaram, YouTube, entre outras redes sociais, podemos encontrar conteúdos de grande ajuda e, lamentavelmente, também encontramos verdadeiras ervas daninha, joios em meio ao que poderia ser um bom trigo. Também os odoiadores, os haters, circulam sites e redes sociais de perfil católico. Desferem ódio, fabricam mentiras, ridicularizam. E o pior é que muitos dos que têm acesso a estes conteúdos ou posicionamentos, acreditam ser verdade. Por falta de conhecimento, ou por ter a mesma propensão a odiar. Por isso, este mal atrai. Sintomaticamente.
Não é incomum vermos ministros ordenados, religiosos e religiosas de vida consagrada, leigos e leigas da Igreja terem suas redes ou publicações invadidas por comentários agressivos. A CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, é um dos alvos preferidos destes grupos odiadores. Estes ataques acabam influenciando a formação de opinião de muitos de nossos irmãos e irmãs. Na ausência de maior conhecimento real dos fatos, acabam acreditando que a CNBB é um grupo partidário, que deseja impor ideias setorizadas. Claro que isso não é verdade! A CNBB é a organização dos Bispos do Brasil. De todos! Não só os que pensam da mesma forma, ou se identificam com este ou aquele jeito de ser Igreja. Não se trata de um sindicato de bispos. Trata-se de pensar, agir e celebrar em comunhão. Mais uma vez insisto: todos os bispos do Brasil fazem parte da CNBB. Consequentemente, os que se declaram contrários à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, automaticamente, se declaram fora da Igreja. Ubi Episcopus, ibi Ecclesia, ou seja: onde está o bispo, aí está a Igreja. Concordando, ou não, a Igreja no Brasil se faz organizar pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Sem comunhão com a CNBB, não há, em hipótese alguma, condições de se dizer Católico. Ou se é Católico com a CNBB, ou não se faz parte da Igreja Católica!
Neste sentido, os que se dedicam a desferir ódio contra a CNBB, se declaram automaticamente fora da Igreja Católica. Aquele e aquela que se depara com esses ataques aos nossos bispos do Brasil e se identifica com o que vê, compartilhando ou colaborando com mais discursos de ódio, estão – igualmente – rompendo com a Igreja Católica. Daí vale se perguntar: estou com a Igreja, ou fora dela? Já dizia Jesus: “Quem não está comigo, está contra mim” (Mt 12,30). A Igreja é o corpo místico de Jesus (cf. 1Cor 12,12-27). Portanto, quem se opõe a ela, se opõe ao Cristo. De que lado você está?
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