Por Hermes A. Fernandes
Fico muito preocupado com os discursos religiosos que se chegam aos nossos ouvidos e olhares. Pouco se sente de amor nas palavras em uso. Este que seria o motor principal de nossa vocação cristã. É! Amar é um imperativo. Essencial identidade que nos define enquanto seguidor e seguidora de Jesus.
As polarizações marcam as posições identitárias. Quem se sente provocado pela Doutrina Social da Igreja, muitas vezes, declara inimizade aos exercícios espirituais, às devoções, à fé dos simples. Muitos de nossos irmãos “engajados” preterem outros irmãos e irmãs. Aí, o que deveria ser inclusivo, fraterno e solidário; se torna marginalizante, excludente, polarizado. Ou se é “pé na caminhada”, ou se é alienado. Será?
Em paralelo e paradoxo, alguns de nossos irmãos e irmãs escolheram contemplar Deus, ao exemplo de muitos místicos de nossa hagiografia. Gritam, aos plenos pulmões, “ou santos ou nada!” Mesmo que cheios de elogiáveis intenções, fecham-se no mundo particular dos que, como eles e elas, querem ser adoradores. Querem “romper com o mundo”. Aí, caem no equívoco dos fariseus. Excluem os que não estão tão motivados ao “ou santos ou nada”, ou – até mesmo – entendem a santidade de forma diferente. Uma santidade ao exemplo dos muitos mártires da caminhada. Dos que se consumiram pelo cuidado com os vulneráveis. Estes homens e mulheres que saíram em defesa dos pobres, dos explorados, dos que se encontram nas periferias existenciais. Aqui vale lembrar Santa Dulce, S. Oscar Romero, entre outras e outros. Igualmente santos como Teresa D’Ávila, João da Cruz. Porém, longe das clausuras, encontraram Jesus no pobre.
São várias as formas de se buscar santidade. Em resposta genuína ao Evangelho, todas igualmente legítimas.
Em nossas comunidades, vale o exemplo da diversidade dos Santos. Podemos ser cristãos e católicos, sem desmerecer a identidade dos que diferem daquela que assumimos. Não podemos ser obrigados a escolher entre o jeito que é nosso amado Papa Francisco e como foi seu antecessor Bento XVI. Posso amar a ambos. Amei Bento XVI. Amo Francisco. Tão diferentes, mas – igualmente – santos padres. Cada um, à sua maneira.
Não precisamos amar uns e odiar outros. Podemos fundir valores, agregar… Café e leite são elementos tão diferentes e, quando juntos, se tornam um delicioso desjejum…
Cada um de nós tem sua identidade. Porém, seremos mais pobres quando ignoramos a riqueza da identidade do outro. Só se pode ser santo, ou chegar à libertação, pelo amor. O que foge à caridade, periga em cair na ideologia.
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