A ALEGRIA DE SER FAMÍLIA DE JESUS

Por Pe. Hermes A. Fernandes

O Tempo do Advento é um tempo de espera. Aguardamos a Celebração Litúrgica do nascimento do Filho de Deus, nosso Salvador e Senhor, Jesus Cristo. Não se trata de uma data somente. Em verdade, o 25 de dezembro nem corresponde à data exata do nascimento do Menino Deus. O 25 de dezembro é muito mais uma data mistagógica, do que cronológica. É tempo de lembrar que Javé, Deus dos pobres e sofredores, dignou-se encarnar-se entre os humanos, sendo um Homem, entre nós.

Escolheu ser, em Jesus, Deus Conosco. Ao nascer, não escolhe as realidades palacianas. Fez-se um conosco nas periferias existenciais. Em Nazaré da Galileia, lugar dos excluídos daquele tempo, vista pelo Judaísmo Formativo como território de mestiços, gente pobre, enfim, a ralé pecadora. Ao nascer na Galileia, Jesus mostra sua opção pelos que são rejeitados. Nunca esqueceremos a questão apresentada pelos bem-nascidos daquele tempo: “pode vir algo bom de Nazaré?” (Jo 1,46). E veio. O Sumo Bem, Jesus, nosso Senhor.

Em nossas vidas, precisamos resgatar a espiritualidade de Nazaré. Abandonando em nossos corações o erro cometido por Natanael. A tendência de julgar pessoas pelo passado de erros, condição social, opções políticas, sexualidade. “Pode vir algo bom de gente assim?” “Gente com esse estigma social?” Ao nascer de uma Virgem de Nazaré da Galileia, Jesus deixa claro: “não há pessoa indigna quando de mim se aproxima”. Portanto, todas as pessoas humanas, em Jesus, são filhos e filhas de Deus. Há referência maior do que essa? Há dignidade maior?

Que possamos, neste Advento, entender que a Família de Nazaré, é nossa família. Que é pela vida do dia a dia, pelo cotidiano, que vivemos o Evangelho em plenitude. Não pela religião dos espetáculos. Ou mesmo, pela religião dos preconceitos. Que exclui e não acolhe. Que marginaliza e não liberta.

Que sejamos vivenciadores da mística de Nazaré. Onde todos e todas são um, com o Verbo. Ele, Jesus, é Deus conosco. Escolheu a indigência da manjedoura e o abandono da Cruz. É entre os indesejados que Ele está presente. Portanto, a Igreja de Cristo é tanto mais discípula dele, quanto mais se aproxima dos pobres e sofredores.


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