Amigos do Mestre: o Discipulado sonhado por Jesus

Por Pe. Hermes A. Fernandes

“Já não vos chamo de servos, mas amigos” (Jo 15,15). Sim! Jesus queria cercar-se de amigos. Por isso, muito do legalismo do Templo, do Judaísmo Formativo, pareceu pedra de tropeço para esses amigos. E foi por isso que Jesus disse aos Fariseus que eles punham pesadas cargas às costas dos que estavam sob o crivo dos piedosos e santos do Templo (cf. Mt 23,4). E estes mesmos Fariseus, eram incapazes de cumprir a justiça e a caridade, critérios essenciais para se entender a Lei e os Profetas. Jesus queria amigos. Seus seguidores tinham, na familiar informalidade, o Mestre que esperavam. Mestre do amor, formando a todos pelo amor.


Estes discípulos, após o Pentecostes, tornaram-se testemunhas deste Mestre-Amor. E, ao redor da mesa, à guisa de Eucaristia, partilhavam do Pão da Vida, enquanto alimento para o caminho de construção do Reino. Partilhavam da vida de seguidores e seguidoras do Mestre Galileu. E no Banquete daquele Pão e Vinho, Corpo e Sangue Eucaristizados, se fortaleciam para caminhar em constante anúncio, com muitas perseguições. É! Difícil entender a importância real da Eucaristia, quando pelo nosso apego obsessivo pela Instituição, perdemos a intuição. O Primeiro Amor, a Comunidade dos Amigos de Jesus, parece não existir mais. O que vemos são defesas de posições, dogmatismos (que se difere da beleza do Dogma), e poder.


Onde está, nos debates atuais sobre Eucaristia e como dela participar, a identidade daqueles que caminharam ao lado do Mestre? Pelos poeirões da Galileia, na intimidade do Lar dos Discípulos de Emaús, nas mesas partilhadas, nas palavras despretensiosas, mas transformadoras; se fez revelar Aquele que descendia do Pai. E, nos que ficariam depois dele, após o Pentecostes; se faria presença perene; corpo místico do Mestre do Amor. Do Messias Amigo.


Entender Eucaristia, é entender o amor. É ter Jesus diante de si e – ao comungar – fazer parte dele e ele em nós. Como ele se revelou aos primeiros? Pelo poder, pela Dignidade dos Monarcas? Não! Foi na intimidade do Amigo.


Agora, esquecidos da Igreja Intuição e obcecados pela Igreja instituição; grita-se a altos brados pela pureza necessária para comungar. Pela veste e o véu, por estar ajoelhado e receber a Eucaristia na boca. Quando foi que Ele, Jesus, se preocupou com todas essas periféricas e escravizantes ideias? De quem ele se cercou, elegendo apóstolos, amigos daquela aventura chamada Reino de Deus? Não foi dos rejeitados de seu tempo? Com os olhos na Bíblia e na vida, onde fica a importância do ajoelhar-se, do tomar comunhão na boca?


É. Quem pretende afirmar, às custas de cismas, disseminando divisões, que véus, posições corporais, bocas receptoras da Eucaristia; estão acima do convite que Jesus nos fez, isto é: ser amigos dele; em verdade, nada entendeu do Evangelho.


Esqueçamos as brigas pelo “como comungar” e nos lembremos “do porquê comungamos”. Ao aproximarmos do Altar da Vida, o fazemos porque queremos ser amigos de Jesus. E, sendo – de fato – amigos dele, a forma como o recebemos, vem se revelar íntima e suave. Quem, de fato, sabe o sentido da Eucaristia, entende que a intimidade de amigo é a mais sincera forma de participar de sua presença. Aí, véus, ajoelhar-se, pureza da boca; tudo isso, resulta em desculpas para separar. Tal qual os Fariseus, os separados, que desejavam a fama dos santos; sem desejar o amor necessário para a santidade.


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