Ao escolher um lado da história, devemos ter muito cuidado! Optando pelos privilegiados, seremos cúmplices da opressão aos perseguidos.

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Fato! Estamos cansados dos discursos polarizados dentro da sociedade e da religião. As redes sociais tornaram-se verdadeiras “rinhas de galo”, onde progressistas e conservadores – cada um defendendo suas razões – se digladiam, querendo impor-se como lado certo da história. E nessa defesa de identidade, esquecemo-nos de que o lado certo da história já está preestabelecido por Jesus. Basta uma leitura atenta e honesta dos Evangelhos.

Se por um lado temos pessoas queixosas de que as Igrejas tornaram-se palco de militância, por outro, há os que querem alienar a Boa Nova, de forma que a Bíblia perca toda sua razão fontal de ser e existir. Em síntese, é a religião ao serviço do poder e não como elemento transformador de consciências e, consequentemente, da sociedade e suas relações de poder.

Com o advento daquilo que chamam bolsonarismo, podemos perceber que a maldade tem seu lado na história. O que chamam de política e religião conservadoras, nada mais é do que a vilania, propagada como ideologia. A Nova Direita defende: armamento civil, deslegitimação dos direitos dos Povos Originários, desrespeito aos Direitos Trabalhistas, criminalização dos Movimentos Sociais, ridicularização dos Direitos Humanos, alcunha de heresia à profecia, legitimação da mentira como projeto de propaganda ideológica (as fake news), entre tantas outras vilanias, elevadas à normalidade, pela banalização do mal. Em tese: bolsonarismo é a queda das máscaras da humanidade, revelando sua face mais monstruosa. Onde agora está na moda ser malvado, violento, misógino, homofóbico, racista, aporofóbico, entre outras formas de defender a crueldade, sob a alcunha de que isso é ser Cidadão de Bem.

Como exemplo da atual corrente do mal, para escândalo dos Cristão e Cristãs de Boa Vontade, um clérigo gaúcho, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, veio a público em seu perfil de Instagram parabenizando às mulheres, mas somente “aquelas que aceitam o parabéns sem encher o saco com alguma militância”. Ainda mais, dirigindo-se às mulheres trans, disse: “para quem não nasceu mulher, mas se considera uma… a data não é 08/03, mas sim 21/09″, (dia da pessoa com deficiência). Pode haver desrespeito maior à pessoa humana? Em poucas palavras, tal padre ridiculariza a luta das mulheres por seus direitos, por declarada postura misógina; e ainda transforma a causa LGBTQIA+ em deficiência, comparando mulheres trans a deficientes físicos. E mais, piorando a questão, também desmerece as causas de inclusão das pessoas com deficiência. Em um único post, tal clérigo destoou do Magistério do Papa Francisco, desrespeitou as pautas da CNBB, proferiu discurso misógino, homofóbico e desrespeitoso aos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana. Se tais posturas são possíveis, vindas de um ministro ordenado, o que esperar dos que declaradamente estão ao serviço do mal?

Fato é que vivemos tempos sombrios. Quando alguns se colocam declaradamente em favor da causa dos privilegiados. Muitos destes, religiosos e religiosas, defraudando – lado a lado – as bandeiras da maldade e da religião. Em contrapartida, Javé sempre escolheu o lado dos oprimidos e perseguidos. Nunca o lado dos opressores e privilegiados. Ao escolher um lado da história, devemos ter muito cuidado. Optando pelos privilegiados, seremos cúmplices da opressão aos perseguidos. Assim, estaremos do lado oposto de Jesus, o Messias dos Pobres.


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