A Palavra de Deus neste domingo nos chama a refletir sobre a forma de louvar a Deus. Não questiono a sua necessidade e sim como fazê-lo. Seria justo realizá-lo de forma rígida sem espaço para exceções ou de maneira alheia às necessidades e ao bem-estar das pessoas? Seria possível existir louvor a Deus sem o amor às pessoas?
Na primeira leitura, vemos o significado de observar o Sábado, um descanso das obrigações mundanas para o devido e necessário louvor a Deus. Naquela realidade toda a sociedade deixaria seus afazeres para isso. Porém essa prática não era dissociada da realidade e da história do povo, pois se garantia que mesmo os escravos deveriam ter o descanso e se lembrava ao povo que este foi oprimido pela escravidão no Egito. Não podemos louvar a Deus nos esquecendo da realidade em que vivemos.
Na segunda leitura, Paulo nos fala das dificuldades de caminhar no mundo seguindo Jesus e que – em vários momentos – passamos por dificuldades e perigos, mas que não estamos sós, pois levamos a luz de Cristo em nossos corações. Por isso penso que louvar a Deus é estar atento aos sofrimentos do mundo e levar a esperança, o amparo e o cuidado aos que, como nós, têm em seus corpos as marcas do sofrimento de Jesus.
No Evangelho, Jesus nos ensina a forma correta de louvar a Deus em duas situações concretas relacionadas ao sofrimento humano. Jesus não nega a necessidade de louvar a Deus ou de seguir as regras religiosas, mas mostra que a dignidade humana deve ser sempre considerada. Em síntese, tudo pode ser resumido em uma pergunta: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?”. Naquela época, bem como hoje em dia, devemos primeiro acudir os que sofrem para poder depois louvar a Deus com todo o nosso coração.
Quanto a nós, vamos sair no mundo e buscar uma sociedade com justiça e paz. Vamos cuidar das pessoas – principalmente as das periferias sociais e existenciais –, garantir a vida e promover a dignidade humana sem nos esquecer de restaurar o equilíbrio com a Mãe Terra, pois este é o digno louvor a Deus.
A todas as pessoas que essa mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
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