A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre como as ideias que passam de Deus são tão diversas da natureza divina. Frequentemente nos mostram um Deus rígido, que castiga e que causa dor e sofrimento pelos motivos mais triviais possíveis.
Na primeira leitura, Jó não aceita o discurso de seus amigos. Estes afirmam que as doenças e as catástrofes de suas vidas foram castigos divinos por suas faltas e pecados. Os amigos acreditam num Deus vingativo e Jó os questiona a partir do Deus amoroso que ele acredita. A resposta do Pai se dá em forma de perguntas, que aqui revelam que o poder divino, quando foi usado, se voltou para cuidar da Criação e não para fazer o mal.
Na segunda leitura, Paulo nos lembra que Jesus morreu por todos nós para que “os vivos não vivam mais para si mesmos”. De fato, se acreditamos que Deus nos ama como suas filhas e filhos, precisamos mudar nossa forma de viver e de agir; devemos fazer desaparecer o mundo velho onde buscamos a nossa felicidade, poder e riqueza e nos tornarmos “uma criatura nova”, membros de uma só família, que vive em harmonia com toda a Criação.
No Evangelho, Jesus chama seus discípulos para seguirem com ele para a outra margem, pois a Palavra não deve ficar restrita a um só povo ou um só local e deve ser anunciada a toda a humanidade. No meio do caminho, eles são atingidos com uma tempestade e os discípulos temem por suas vidas, ainda na visão antiga de que aquilo seria um castigo ou uma prova divina. Acordam Jesus, que faz cessar a tempestade, mas os questiona: “Ainda não tendes fé?”. De fato, devemos ser novas criaturas que confiam em Deus e buscam resolver o mal que criamos quando d’ Ele nos afastamos.
Quanto a nós, vamos sair no mundo em direção às periferias sociais e existenciais, como novas criaturas que somos, mostrando o Deus que nos ama e nos chama a construir uma grande novidade. Construir uma sociedade que convive em harmonia e protege a Mãe Terra, que valoriza a vida e a dignidade humana e que busca a paz e a justiça. Sim, teremos tempestades, mas fiquemos tranquilos pois Jesus acalma o mar.
A todas as pessoas que essa mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
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