Por Pe. Hermes A. Fernandes
Jesus nos ensinou. Ele sentiu a fome do povo. O Evangelho de João 6,1-15 nos coloca nas proximidades da Galileia. Lugar de pessoas mal vistas, pobres, excluídas. A ralé pecadora. Mas Jesus era de lá. Um com eles, experimentou em si a condição de excluído e marginalizado.
Havia um mundaréu de gente (Jo 6,2). Sim, a esperança dos pobres era o único alento. Acorriam a ele. Por ser milagreiro? Por falar bem? Ou por revolucionar a realidade rabínica, muitas vezes excludente, do Judaísmo Formativo? Jesus, Mestre do Amor, associava-se às vítimas do desamor.
E estava próxima a Páscoa dos Judeus (Jo 6,4). Festa que, em Jerusalém, abrigava em si a exploração e exclusão dos pequeninos. Os pobres, as mulheres, a ralé pecadora eram taxados/as de altos preços para restaurar ritualmente a dignidade e, assim, adentrar no Templo. A religião não confrontava a exclusão. Ao contrário, subsidiava a ela. Mas Jesus não compactua com isso. Veio para os pobres, pecadores, excluídos (cf. Lc 4,18-19).
Deu-se conta da fome do povo, estavam ali com ele havia muito tempo. Precisavam se alimentar (Jo 6,5). Propõe o desafio ao discípulo Felipe. Diante da impossibilidade humana de se alimentar tanta gente, dadas as condições do lugar e da parca economia dos discípulos, deu-se o sinal da multiplicação dos pães. Milagre? Partilha? Economia solidária? Quem sabe?! Nem importa! Basta-nos saber que Jesus é o Messias da partilha, do cuidado, da fraternidade e sororidade.
Com mãos estendidas e coração acolhedor, se deu aquela Páscoa ao jeitinho de Jesus. Os pobres comeram e ficaram saciados. Proposta impossível na realidade do Templo. Realidade desafiadora para nossas comunidades eclesiais. Herdarmos de Jesus e dos discípulos do primeiro momento, a partilha e a compaixão como critérios para a vivência da caminhada eclesial e das Liturgias. “Antes de ir ao Altar de Deus, é preciso passar pelo Altar dos Pobres.”
Deixe um comentário