Uma interpretação alternativa da Profecia de Simeão | Reflexão do Diácono Bernardo Rangel Tura

A profecia de Simeão, presente no Evangelho de Lucas (2,34-35), é uma das passagens mais impactantes no contexto da vida de Maria e sua relação com a missão de Jesus. Ao encontrar o Menino Jesus no templo, Simeão profetiza que Ele será “causa de queda e de soerguimento para muitos em Israel” e que seria “um sinal de contradição”. Em seguida, ele se dirige diretamente à Maria: “E a ti, uma espada transpassará a tua alma.”

Tradicionalmente, essa passagem é vista como uma predição do sofrimento de Maria ao presenciar a Paixão e Morte de seu Filho. Existe um certo valor nessa interpretação, pois mostra que Maria teve uma participação ativa na história da Salvação e que participou dela integralmente 

No entanto, ao refletir mais profundamente sobre a imagem da espada, penso que pode existir uma outra interpretação que traz consequências importantes para a nossa vida como seguidores de Jesus.

Minha interpretação surge a partir do fato de que esta parte da profecia não se realiza a não ser de forma simbólica, o que me leva a pensar se não há um outro símbolo que possa ser evocado. Nesse sentido, posso pensar que a espada se refere a Palavra de Deus, como é dito na Carta aos Hebreus (4,12) e aos Efésios (6,17).

A Palavra de Deus, representada pela espada, não apenas atravessa o coração de Maria, mas transforma sua vida e a alinha de maneira radical com o plano da Salvação. Maria, como discípula exemplar, acolhe a Palavra e, a partir dela, é moldada e renovada  

A Palavra de Deus, se transpassar nosso coração, nos transforma e nos compromete e por isso somos chamados a discernir sobre como nós, como seguidores de Jesus, devemos mudar nossa forma de viver a fé.

Este compromisso, à semelhança de Maria, muitas vezes nos leva às periferias sociais e existenciais. Jesus nos chama a servir as pessoas marginalizadas ou excluídas – os pobres, os presos, os povos originários etc. – como Ele nos ensinou em Mateus 25, 31-46. 

 A experiência pastoral que surge a partir desta interpretação nos chama ao compromisso da Igreja em Saída e isto, invariavelmente, encontra resistência. A sociedade que os marginaliza muitas vezes nos desafia e tenta nos dissuadir de nossa missão. No entanto, o sofrimento que enfrentamos ao seguir a Palavra de Deus vem acompanhado de uma profunda satisfação espiritual, justamente por termos escolhido essa jornada 

Assim, como Maria, somos chamados a permitir que a Palavra penetre profundamente em nossas vidas, nos transforme e nos impulsione a servir as periferias sociais e existenciais, mesmo quando isso nos causa sofrimento. O exemplo de Maria, que viveu a profecia de Simeão com fé e coragem, deve nos inspirar a continuar nossa caminhada, confiantes de que a Palavra de Deus nos conduz à vida plena e verdadeira.

A todas as pessoas que essa mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura


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