Por Pe. Hermes A. Fernandes
Estive conversando com um grande homem de Deus. Destes que vivem sob o melhor crivo do Evangelho. Entre tantos assuntos e conjecturas, entramos no tema da população carcerária no Brasil. Homens e mulheres que, por razões muitas, encontram-se condenados a perder a liberdade. Sem entrarmos no mérito da culpabilidade, chega a dar certo calafrio só de pensar em estarmos em tal situação. Imaginar-se encarcerado já nos traz tamanho sofrimento que pode ser comparado a um pesadelo.
Muitos de nós podem ter se deixado influenciar por produções televisivas ou cinematográficas, e sair por aí desferindo condenações vexatórias: “Se está preso, boa pessoa não é!” e “lugar de bandido é na cadeia!”. Ainda há o pós-encarceramento. Quando alguém deixa o sistema prisional, estará marcado para sempre com o selo do preconceito. “Ex-detento não é companhia para você!”, ou “na minha empresa não tem lugar para ex-detento”. E os ex-encarcerados são excluídos do convívio social, das oportunidades de trabalho, da possibilidade de reconstruir suas vidas. Para alguns, isso pode ser entendido como normal, como consequência dos erros cometidos. Entretanto, estou certo de que esta não é a pedagogia de Deus. Certamente, não encontraremos nas palavras e ações de Jesus, nenhum subterfúgio que justifique nosso preconceito. Quem está em situação prisional, ou assim esteve, está assumindo o caminho de reconstrução de suas vidas. Precisamos acreditar no bom êxito deste caminhar. Em meio a esta dura jornada, devemos nos postar como samaritanos e cirineus. Colocarmo-nos ao lado dos encarcerados, sendo presença fraterna e solidária. Aqui se justifica a existência e a beleza da missão na Pastoral Carcerária. Aos que cumpriram seu tempo de encarceramento, devemos nos colocar na condição de acolhida, e – como um mecenas – conduzir estas pessoas à vida digna. Superando preconceitos, oferecendo oportunidades. Quer enquanto Igreja, quer enquanto sociedade, precisamos assumir que a vida destas pessoas é responsabilidade nossa. E, por isso, devemos nos esforçar para aplainar essas veredas, reconstruindo vidas.
Que possamos ver o homem e a mulher com o olhar de Deus. Amando e acolhendo, sempre! A vida é beleza, graça e mistério! Pelo amor, construímos pessoas. Com rejeição, exclusão e marginalização; criamos monstros. Ou nos tornamos um deles.
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