Lançamento da Bíblia Apócrifa: Segundo Testamento | Frei Jacir de Freitas Faria


Com o objetivo de poder ajudar a compreender esses textos e dialogar ecumenicamente com essa literatura de origem, publiquei Bíblia Apócrifa: Segundo Testamento (ed. Vozes). Ela é o resultado de mais duas décadas de pesquisa, período na qual publiquei alguns livros sobre os apócrifos. São 784 páginas de fé, presente numa literatura pouco conhecida do grande público. A tradução apresentada baseia-se em textos originários em suas diversas traduções para as línguas modernas.


Essa obra é uma Bíblia, pois ela é também uma coleção de 67 livros, traduzidos e comentados de forma acessível ao estudo e ao contato com a fé de origem. Ela apresenta também informações sobre 38 outros textos e fragmentos apócrifos. Os livros foram chamados de Segundo, e não de Novo Testamento, por uma questão de diálogo e respeito como os nossos irmãos judeus.


Apócrifo é a tradução do termo grego “apokryphos” e significa escondido, oculto, isto é, no caso, livro utilizado, lido de forma escondida. Seria a Bíblia Apócrifa outra Bíblia? Sim e não! Como apresentação de um pensamento diferenciado, é, sim, outra Bíblia, mas, em relação a seu objetivo, que é o de dialogar com os vários cristianismos de origem, não. Ela é um convite ao diálogo e amadurecimento na fé, bem como o de levar o leitor (a) a compreender a revelação do Espírito Santo na oralidade da fé, na catequese que chegou até os nossos dias.


Para que isso fique bem claro, a obra inicia com grande introdução à Bíblia Canônica e à Bíblia Apócrifa. Na sequência, a tradução dos apócrifos do Segundo Testamento está distribuída da seguinte forma:

  • Cinco Evangelhos do nascimento e infância de Jesus (Segundo Pseudo-Tomé, Infância do Salvador…).
  • Seis Evangelhos sobre Maria (livro do Descanso, Protoevangelho de Tiago…).
  • Um Evangelho sobre São José (História de José, o Carpinteiro).
  • Cinco Evangelhos da Paixão, morte e ressurreição de Jesus (Sentença de Pilatos, Descida de Cristo aos infernos, Evangelhos Segundo Pedro…).
  • 6 Evangelhos gnósticos (Evangelho de Maria Madalena, Evangelho de Tomé, Evangelho de Judas Iscariotes…).
  • Oito História de Pilatos (Relatório de Pilatos a César, Vingança do Salvador, Morte de Pilatos…).
  • Catorze Atos dos Apóstolos (Atos de André, Atos de São Judas Tadeu, A filha de Pedro…).
  • Dezoito Cartas (Carta dos Coríntios a Paulo, Carta de Paulo aos Laodicences, Cartas entre Paulo e Sêneca…).
  • Quatro Apocalipses (Apocalipse de Paulo, Apocalipse de Tomé…).
    No início de cada livro apócrifo, há um comentário com as principais informações sobre seus contextos histórico e literário. É importante ressaltar, dentre outros pontos, que os apócrifos do Segundo Testamento:

  • 1) Resgatam a face dos cristianismos perdidos ou excluídos, possibilitando-nos o conhecimento dessas correntes de pensamento condenadas ao ostracismo, nas quais poderiam estar traços do pensamento de Jesus que foram afastados pelo cristianismo que se tornou hegemônico.
    2) Eles também revelam a luta desenfreada pelo poder, nos primórdios do cristianismo, entre suas lideranças. Nesse sentido, os apócrifos, sobretudo os gnósticos, evidenciam o papel, a liderança da mulher na era apostólica. Maria Madalena é o melhor exemplo.
    3) Oferecem elementos da catequese não propriamente herética dos primeiros cristãos, ainda hoje presentes no imaginário popular, espelho de uma fé simples, piedosa e devocional em relação a Maria, por exemplo, os quais serviram de base para dogmas de fé na Igreja.
    4) Influenciaram a arte e a literatura cristã na Idade Média e Moderna como a Legenda áurea, de Jacopo de Varezze, e a Divina Comédia, de Dante, as pinturas nas igrejas romanas, com imagens inspiradas nos apócrifos, e tantas outras obras, evidenciando o encontro inevitável entre o evangelho e a cultura, mesmo na sua condição de escrito não canônico.
    5) Verdade ou não, os apócrifos do Segundo Testamento respondem questões que os canônicos não conseguiram.
    Bíblia Apócrifa – Segundo Testamento, por mais polêmica que seja, abre um canal de diálogo com os valores cristãos de ontem e de hoje.

Presença de Frei Jacir nas Mídias Sociais

Frei Jacir de Freitas Faria: Doutor em Teologia Bíblica pela FAJE (BH). Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de Exegese Bíblica. Presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de doze livros e coautor de dezesseis. Última publicação: Os murais do Santuário Santo Antônio, de Divinópolis (MG), no simbolismo do Três na Trindade e na Crucifixão de Jesus:  interpretação bíblica, teológica, catequética e franciscana das pinturas de Frei Humberto Randang. Belo Horizonte: Província Santa Cruz, 2024.


Canal Frei Jacir Bíblia e Apócrifos:
Oferece aulas e lives sobre Bíblia e Apócrifos
https://www.youtube.com/channel/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ

Página Bíblia e Apócrifos:
http://www.bibliaeapocrifos.com.br/

Reflexões Bíblicas no Canal Grupo de Reflexões Bíblicas São Jerônimo:
https://www.youtube.com/channel/UCkVLcYNOuzQL_HL1g8e3_lg

Instagram:
https://www.instagram.com/freijacir/

Facebook:
https://www.facebook.com/freijacir.freitasfaria


Deixe um comentário

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑