A figura de Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, tornou-se logo cedo na história da Igreja inspiração para o estilo de vida cristã. Mas, será que ela continua sendo uma provocação pertinente no caminho do discipulado? O que ela, tem a dizer para nós hoje?
Maria no evangelho de Marcos é sobriamente mencionada como “A mãe dEle” (Mc 3,31) toma feições concretas e proativas nos evangelhos de Lucas e João. Talvez porque as comunidades cristãs, naquele momento do seu desenvolvimento em outras culturas, procuram e encontram em Maria um modelo evangélico de discipulado, relações, liderança e missão!
Os Padres da Igreja, os ícones gregos e orientais, os primeiros Concílios ecumênicos e as primeiras basílicas cristãs dão a Maria um lugar “bem perto do seu Filho”, mas parece que assim ela vai se distanciando de nós, como uma rainha de cetro, manto e coroa. Enquanto a mulher comum perde voz ativa e passiva nas comunidades, a devoção à “Theotokos” vai crescendo… num fenômeno de medo e atração pelo feminino, que nem Freud, apesar de tanto falar em transferências, realmente “explica”!
Na Idade Média, os místicos contemplam o início “simbólico” no diálogo entre João e Maria ao pé da cruz, ambos seduzidos pelo amor de Jesus. Não é nossa vocação, antes de tudo, uma questão de sedução? João, diz “a levou para sua casa” (Jo 19,27), mas poderíamos arriscar uma tradução mais fiel ao texto original: “João a levou para tudo que era seu”.
Sim, a vida cristã leva Mãe Maria para tudo que é seu. E à precisão dos termos teológicos, une-se, de um modo muito feliz, sobretudo a partir de São Bernardo, a ternura do coração filial. Que aconchego esta última antífona cisterciense, vinda da mais antiga oração conhecida a Maria, que deposita angústias e terrores noturnos debaixo do manto da Mãe: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”
Depois da revolução francesa, no século XIX, o século mariano, são inúmeras na Igreja as “comunidades religiosas”, muitas delas femininas, apostólicas e reunindo gente jovem oriunda de famílias simples, que se colocam sob essa proteção. Entre elas a minha congregação, “Irmãs de Santa Maria”, que completa, em 2019, duzentos anos de caminhada. Só na França, nascem, naquela época, mais de 50 Congregações, “marianas” nomeadas. E aqui cabe uma menção carinhosa também aos nossos Irmãos Maristas.
A vida cristã da “Latina América”, ficou profundamente marcada por esta influência mariana. Se é histórico o fato de que Cabral trazia consigo, por ocasião da sua viagem de “descoberta”, uma imagem de Nossa Senhora da Esperança, está difícil de comprovar. Mas, é só olhar para as faces daquelas e daqueles que “olham” Maria de Guadalupe, Maria Aparecida e as tantas outras Marias presentes entre nós, para intuir e perceber que ela representa o sinal luminoso da nossa comum esperança. Dê uma olhada para trás quando você está na fila dos devotos em Aparecida! Porém, hoje, o que Maria tem a dizer de novo ao coração dos seus filhos?
Colaborou: Missionários Xaverianos
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