A esperança é um ato de teimosia e resistência

Por Pe. Hermes A. Fernandes

A esperança é um ato de teimosia e resistência. Somos tentados a nos deixar impressionar pelos sofrimentos. Não se trata de pessimismo. É fragilidade humana, mesmo. Daí, ficamos sentados às margens dos caminhos sem seguir a diante, pensando que nosso caminhar é infrutífero. Que não leva a lugar algum. Todavia, tudo é movimento, tudo muda, tudo se transforma.

Em Jesus somos convidados a tomar a cruz e seguir. Nossa missão é sempre ter como referência o Mestre. Em Lc 4,16-20, Jesus apresenta seu programa messiânico, sua razão de ser e de agir. Evangelizar os pobres, proclamar a libertação aos cativos, abrir os olhos das cegueiras físicas e existenciais, confrontar a opressão com o projeto libertador do Reino, e anunciar o Ano da Graça do Senhor; quando toda forma de submissão, cativeiro, sofrimento e tristeza tem fim. Em Jesus temos uma proposta muito concreta de mudança. É reconstruir vidas a partir da ação evangelizadora. Trata-se de algo muito concreto. É mudança real e não somente conceitual. Portanto, devemos ter esperança de que em Cristo, poderemos ser novas criaturas, ou seja, filhos e filhas de Deus. E este Paizinho amado, este Abba, não quer seus filhos e filhas famintos, desabrigados, em situação de cárcere físico ou existencial, tendo seus Direitos Fundamentais enquanto seres humanos desrespeitados.

Não podemos nos esquecer de que evangelizar tem implicações concretas e não somente espirituais. É preciso quebrar as correntes do sofrimento e, com esperança e teimosia, promover a vida em plenitude. Portanto, conforme Jesus disse: “levanta-se e ande!” (cf. Jo 5,8-10). Precisamos nos libertar da paralisia do medo, do desânimo, da tibieza. Nossa vocação cristã é, antes de tudo, libertadora e missionária.


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