O sopro do Espírito na eleição do Papa Leão XIV

Por Pe. Gabriel Ferrari, sx

A tristeza pela partida do Papa Francisco foi rapidamente substituída pela alegria pela eleição do novo Papa, Leão XIV. Todos nós pudemos perceber que, embora a escolha tenha sido feita pelos cardeais, ela já havia sido selada pelo Espírito Santo. A rapidez da votação e a sensação de que o eleito era exatamente o que a Igreja precisava neste momento histórico deixaram em mim — e acredito que em muitos outros — a certeza de que a Igreja não é um clube ocidental, muito menos exclusivamente italiano, mas sim o povo universal do Deus vivo, fundado por Jesus e guiado pelo Espírito do Ressuscitado.

A figura do novo Papa ocupou e preencheu imediatamente o vazio deixado por Papa Francisco, cuja forte personalidade parecia insubstituível. No entanto, o Espírito Santo surpreendeu e desmontou todas as previsões anteriores ao conclave. Não tenho nada contra os diversos candidatos apresentados pela imprensa nas últimas semanas, nomes lançados antes mesmo da partida de Francisco, fruto de um desejo excessivo por informações, mas ficou claro que a escolha divina se impôs. Foi com sabedoria que o Bispo de Como afirmou, em mensagem à sua diocese na véspera do conclave: “O Espírito Santo já escolheu o novo Papa; cabe a nós apenas reconhecê-lo entre os cardeais reunidos em oração e discernimento na Capela Sistina.”

A primeira aparição do Papa Provost na noite de 8 de maio nos fez compreender que o Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, é a pedra sobre a qual se edifica a Igreja, a pedra necessária que dá plenitude e solidez à construção iniciada por Cristo com seu sacrifício pascal. O Papa tem o carisma insubstituível de unir e dar forma à Igreja, que, por meio dele, se mantém firme e coesa.

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Penso na alegria dos cristãos latino-americanos, especialmente dos peruanos, que veem um bispo e missionário que atuou em sua terra assumir o lugar de Pedro, no coração da Igreja. Quero também expressar a alegria de nós, missionários, ao vermos alguém como nós — que viveu a missão em regiões carentes de evangelização, onde a presença de missionários estrangeiros foi vital para a edificação de comunidades cristãs e humanas.

Saber que o Papa Leão foi missionário durante anos, vê-lo entre o povo andino, com os pés na água e na lama, montado a cavalo — não para um espetáculo, mas para alcançar populações distantes, foi, para mim, um imenso consolo. Consolou-me pessoalmente, pois reacendeu lembranças dos anos vividos em missão, enfrentando trilhas pedregosas e desgastantes para levar o amor de Jesus a fiéis e não fiéis. E me consolou do ponto de vista eclesial e formativo, pois confirmou algo que frequentemente ouvimos nos seminários de nossas Igrejas mais antigas: se os futuros sacerdotes tivessem experiências missionárias significativas, não apenas turísticas ou culturais, em ambientes não cristãos, sua formação ganharia em profundidade e, com ela, também sua credibilidade apostólica.

A experiência missionária permite viver a primeira e essencial dimensão do ministério eclesial. Cresceria a alegria da evangelização e a consciência de sermos, de fato, servidores da fé e da humanidade. Nada forma melhor as atitudes de proximidade, compaixão e ternura, recomendadas incansavelmente por Papa Francisco, do que essa vivência missionária no mundo. Ad multos annos, Papa Leão, e muito obrigado por ter aceitado este ministério!

Colaborou: Missionários Xaverianos


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