Por Pe. Hermes A. Fernandes
São lamentáveis os tempos em que vivemos! O cenário político nacional se tornou palco dos mais vergonhosos sinas de incivilidade e truculência. Parece que vivemos sob a pedagogia da banalização do mal. Seguimos calados diante de muitas atrocidades. Nossos direitos enquanto cidadãos e eleitores são desrespeitados por aqueles que – por suas funções – deveriam nos defender e aos nossos direitos. Deputados e senadores pautam seus atos em favor de causas obscuras e interesses unilaterais, subsidiados pela ganância de alguns que impõem políticas de morte a todos.
O caso mais recente nos aponta a fragilidade em que se encontra a política nacional. No último dia 27, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi aviltada por Senadores da República. O presidente do colegiado, Marcos Rogério (PL-RO), exigiu que Marina se colocasse “no seu lugar”. O senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que ela não tinha “direito” de fazer seu trabalho com base nas leis. E Plínio Valério (PSDB-AM) disse que a respeitava como mulher, mas não como ministra.
Pela síntese dos relatos acima, já percebemos o caos em que se encontra o caminhar político no legislativo. A frase “coloque-se no seu lugar” é de uma truculência desapropriada a qualquer ambiente de convivência. Tanto menos, na “Casa do povo” – como utopicamente definimos a Câmara dos Deputados e o Senado. E a loucura se segue: um senador dizer que a ministra não tem direito de fazer seu trabalho com base nas leis, significa que nesta pessoa está inerente a institucionalização da ilegalidade. Um legislador afirma que não está ao serviço da lei e que se sente afrontado – até sinais claros de ira – por quem ousa agir pela legalidade. Quebra de decoro, declarado descompromisso com a ética, confissão pública de caráter duvidoso. Por fim, para coroar o cenário do caos no legislativo, o senador Plíneo Valério afirma não respeitar Marina Silva como ministra e somente como mulher. A pessoa humana é a soma de tudo que é e faz. Desrespeitando a ministra, desrespeita a mulher. No referido senador se encontra o paradigma clássico do despreparo e da ignorância. Falta-lhe o conhecimento básico de metafísica, de respeito pelas instituições estabelecidas, de respeito humano. Ainda mais quando se trata de pessoa com histórico irrefutável de compromisso com a defesa do Meio Ambiente, como Marina Silva.
O Congresso aprovou em 2021 a lei nº 14.192 para combater a violência política de gênero. O artigo 326-B, no entanto, que trata do assunto, não pode ser aplicado porque ele se restringe à violência sofrida por candidata ou detentora de mandato eletivo. Marina Silva é ministra, mas não disputou as eleições em 2022, portanto, não está respaldada.
Na ausência de dispositivo legal que venha em defesa de Marina Silva, o Blog Eclesialidade & Missão, representando todos os que nele se sentem contemplados, vem publicamente manifestar total repúdio pelas atrocidades cometidas pelos senadores acima elencados e, na oportunidade, manifesta incondicional apoio à ministra Marina Silva e a todos aqueles e aquelas que se comprometem com as pautas ecológicas e humanitárias. É inaceitável que senadores, ou quaisquer que sejam os que atuam no cenário da política nacional, se façam valer do seu direito de fala e voto para ultrajar pessoas ou defender políticas de morte, sob as quais se fazem representar a pedagogia da destruição em nome do lucro. Que se calem todas as vozes que defendam a morte e que sejam reverenciados todos aqueles que se comprometem com a vida.
Na defesa da Casa Comum, no compromisso por uma economia responsável, onde se prime pela ética da vida e não por políticas de morte, somos todos Marina Silva!
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