15º Domingo TC: “Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão”.
No evangelho deste domingo voltamos a nos deparar com um relato exclusivo do evangelho de Lucas, a parábola do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37).
O cenário é o de um Mestre da Lei, que se levanta e coloca para Jesus uma pergunta, que ainda segue remoendo, dentro de cada um de nós:
“O que devo fazer para herdar a vida eterna?” (10, 25).
Sinaliza o evangelho, entretanto, que a pergunta era mal intencionada. Queria colocar Jesus em dificuldade.
Jesus devolve-lhe a indagação e pergunta:
“O que está escrito na lei? Como lês?” (10, 26).
O doutor da lei vai sintetizar os mais dos 600 preceitos em apenas dois: o amor a Deus e o amor ao próximo, regra de ouro de todas as grandes tradições religiosas e que está explicitada no Deuteronômio (Dt 6, 5) e também no Levítico (Lv 19, 18):
“Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com toda a tua inteligência e ao teu próximo como a ti mesmo” (10, 27).
Jesus dá por encerrado o diálogo, elogia-o e recomenda:
“Tu respondeste corretamente: ‘Faze isto e viverás’” (10, 28).
Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “Quem é meu próximo?” (10, 29).
Ali, residia todo o nó da questão, pois doutores da lei, escribas e fariseus abriam uma grande lista de exceções: o estrangeiro certamente não era meu próximo, nem o samaritano, nem o cananeu, nem todo e qualquer gentio, nem meu inimigo.
Nas nossas listas de hoje, certamente estariam moradores e moradoras em situação de rua nas nossas cidades, migrantes e refugiados, os habitantes todos da faixa de Gaza, os palestinos em geral, os povos indígenas cujas terras são cobiçadas e constantemente invadidas e roubadas, os moradores das favelas e periferias, os empobrecidos e desamparados, jovens negros, sempre suspeitos, pessoas trans ou de outra religião.
Lista interminável, enquanto a lista de Jesus não tem nenhuma exceção sequer.
Para tanto, Jesus conta a parábola do samaritano, inimigo religioso e racial dos judeus. Ele é apontado como exemplo, ao lado da indiferença e quase repulsa do sacerdote do templo, que vê o homem caído e machucado na beira do caminho, troca de lado para não passar perto e segue adiante. Indiferença também do levita, outro religioso servidor do culto, que troca de lado e segue adiante (10, 30-32).
“Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem no seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais’.
E Jesus perguntou:
‘Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?’
Ele respondeu:
‘Aquele que usou de misericórdia para com ele’.
Então Jesus lhe disse:
‘Vai e faze o mesmo’” (10, 33-37).
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