Reflexão com Pe. José Oscar Beozzo para o 18º Domingo do Tempo Comum


Lucas descreve assim, no início do capitulo 12, o cenário em que Jesus discutia com os escribas e fariseus:


“Nesse momento, milhares de pessoas se comprimiam, pisando-se umas às outras” (Lc 12, 1).


E Jesus alertava o povo para tomar cuidado com a hipocrisia dos fariseus e doutores da lei, com o seu fermento e o exortava a não ter medo.


Lá do meio da multidão um homem levantou a voz e disse:


“Mestre, dize ao meu irmão que reparta comigo a herança” (Lc 12, 13-21).


Jesus respondeu:


“Homem, quem me nomeou juiz ou árbitro entre vós?”.


E acrescentou:


“Atenção. Abstendo-vos de qualquer cobiça, porque por mais rico que alguém seja, a vida não depende dos bens” (12, 14-15).


Alguns bens são necessários para a vida. Os mais preciosos, como o ar, nos chegam de graça, mas, se for ar condicionado já é preciso pagar…; a água também. Diante da corrida de grandes grupos econômicos, Coca-cola, Nestlé, Pepsi, para se apoderarem das fontes de água em todo o mundo, para venderam-na a preços crescentes, a água já precisou ser declarada bem comum e não mercado, cujo acesso deve ser assegurado para todas as pessoas em nossas sociedades. Sabemos, entretanto, o quanto vai subindo o seu preço nas cidades e como ela é cortada para os que não conseguem pagar a conta em dia.


O alimento é igualmente bem necessário à vida, mas vemos também como vão subindo os preços do leite, do pão, do arroz, do feijão, da carne, das verduras e das frutas, tornando seu acesso cada vez mais difícil para os mais pobres. Assistimos estarrecidos como está sendo criminosamente impedida na faixa de Gaza a entrega de alimentos para a população civil palestina faminta.


Dito isto, o que Jesus condena é a cobiça e o acúmulo de bens nas mãos de poucos, a tal ponto que falte o necessário na mesa da maioria.


O Papa João Paulo II, no seu discurso de abertura para III Conferência do Episcopado Latino-americano em Puebla, no México juntou a ponta dessas duas realidades, em que uma é a causa da outra, pois vamos tendo “ricos cada vez mais ricos, às custas de pobres cada vez mais pobres”.


E Jesus, como costumava fazer, contou para aquela multidão, e para nós também, uma pequena parábola, para que não apostemos nossas vidas no acúmulo de bens e no consumismo, desprezando a justiça, a partilha e a solidariedade:


“A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita. Então resolveu:


‘Já sei o que fazer! Vou derrubar os meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’


Mas Deus lhe disse: ‘Louco. Ainda esta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’” (12, 16-20).


Conclui o evangelho:


“Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (12, 21)


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