Papa Leão XIV e nós

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Estive pensando sobre os muitos pronunciamentos sobre o Papa Leão XIV. Alguns se dizem felizes com ele, por considerá-lo menos arrojado do que nosso saudoso Papa Francisco. Portanto, menos provocador de consciências. O que pode parecer mais confortável aos menos dados à profecia.

Há quem também se manifeste descontente. Alegando que nosso Papa está muito aquém das necessidades. Que poderia ser menos diplomático e mais profético. Ainda mais no que se concerne às questões do genocídio na Faixa de Gaza e no que se refere ao atentado às liberdades que aflige o povo da Ucrânia, pelos ataques da Rússia. Estaria errado Leão XIV por ter uma postura menos profética como pensam alguns?

Fato é que pessoas humanas trazem em si suas características de personalidade. Algumas formas de se expressar e até mesmo de agir, se ligam mais aos arquétipos de personalidade do que à devida hermenêutica do Evangelho ou forma com a qual se viva a vocação ministerial. Um Papa pode ser mais tímido, outro mais afogueado. Têm direito a isso. Faz parte da personalidade e isso não qualifica mais a um do que a outro. Nem desqualifica. São pessoas humanas e devem ser entendidas assim.

Aqueles que estão satisfeitos ou não com o Papa Leão XIV devem se perguntar sobre si mesmos. Os problemas aí estão. São desafios que competem à Igreja. E que todos nós somos responsáveis por se manifestar e buscar construir um mundo melhor, inspirados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Antes de ficar com os olhos fixos em Roma, querendo um Papa que represente nossos sonhos, que voltemos o olhar a nós mesmos. O que temos feito pelas dores do mundo? Qual nossa real contribuição pela construção do Reino de Deus? Nosso Papa tem feito o seu possível. Contentes com ele, ou não, devemos nos perguntar qual nosso papel nesta ópera da vida.

Rezemos pelo Papa Leão XIV. Rezemos a Deus também por nós. Que sejamos mais ousados em ações do que em palavras. Que nos ocupemos com nossa missão, limitando-nos a rezar por nossos irmãos que – todos juntos – navegamos na Barca de Pedro. Que ela, a Igreja, possa singrar os mares do Reino de Deus. Antes de criticar aos que estão nesta barca conosco, que tenhamos a consciência de que cada um de nós tem sua missão neste navegar. Todos somos Igreja e cada um de nós deve cuidar de seus deveres na construção de um mundo melhor.


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