Assunção de Maria: “Bendita es tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1, 42) | Reflexão com Pe. José Oscar Beozzo


Maria, padroeira de tantas comunidades, paróquias e dioceses de nosso país e festejada no dia 15 de agosto na sua festa da Assunção, é celebrada neste ano, no domingo, dia 17.


O evangelho de Lucas diz que, ao ser avisada pelo anjo que sua prima Isabel, já de idade e considerada estéril, estava grávida, partiu apressadamente para as montanhas de Judá (1,39-56).


Não ficava perto a casa de Zacharias e Isabel. De Nazaré a Jerusalém, eram uns 150 quilômetros e havia ainda mais uns seis quilômetros para se chegar na aldeia de Ain Karim, uma jornada que devia durar perto de uma semana.


Será que a jovenzinha Maria partiu sozinha e à pé? Teria conseguido arrumar um burrinho?


Juntou-se, por acaso, no caminho, a algum grupo de peregrinos que subia para Jerusalém?


O evangelho nada diz. Narra apenas que partiu, apressadamente, para acudir sua prima, marinheira de primeira viagem como ela, nessa aventura de se encontrarem grávidas, de maneira inusitada, trazendo no ventre uma nova vida… “porque para Deus, nada é impossível” (1, 17).


Ao chegar à casa de Zacarias, muita alegria. Até mesmo a criança pulou no seio de Isabel. Cheia do Espírito Santo, ela dá um grande grito e exclama:


“Bendita es tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (1, 42).


Continuamos a repetir a exclamação de Isabel, cada vez que rezamos a Ave Maria, precedida por aquela saudação do Anjo a Maria:


“Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo” (1, 28).


Isabel ainda acrescenta:


“Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor, me venha visitar” (1, 43)?


Maria responde com um cântico de louvor a Deus que olhou para sua pequenez e humildade e fez maravilhas em sua vida, esse Deus cuja misericórdia se estende de geração em geração e cujo poder “dispersa os soberbos de coração, derruba dos seus tronos os poderosos e eleva os humildes” (1, 46-55).


Se fosse em nossos dias, Maria estenderia sua visitação até a Faixa de Gaza para dizer às mães desesperadas e às crianças famintas:


“Ele encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (1, 53).


E teria que prosseguir sua peregrinação até as regiões da África e da Ásia assoladas pela guerra, até a Ucrânia e a periferia de nossas cidades, indignando-se, socorrendo e animando as pessoas, cumprindo o que o Concílio Vaticano II diz a seu respeito:


“Maria é sinal de esperança segura e de conforto ao peregrinante povo de Deus” (LG 159).


Maria que deu a Jesus a sua humanidade, acolhendo-o no seu seio, amamentando-o e dele cuidando, que esteve ao seu lado ao pé da cruz e o acompanhou à sua sepultura, exultou com Maria Madalena e os discípulos com sua ressurreição.


Foi, depois de sua morte, conduzida de corpo e alma para junto de seu Filho, do Espírito Santo e do Pai, acolhida nos braços da Trindade Santa.


É esse mistério do laço de sangue e de amor nunca desfeito entre ela e seus Filho que celebramos na Assunção, na firme esperança de que também nós que, no batismo, fomos sepultados com Cristo em sua morte, seremos ressuscitados para uma vida nova, já presente em nós desde agora, e que irá desabrochar plenamente na ressureição dos mortos.
Como diz São Paulo, na Carta aos Romanos:


“Se morremos com Cristo, cremos que também ressuscitaremos com Ele” (Rm 6, 8). Maria já nos precedeu nessa plena ressurreição.


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