Por Karina Moreti
Diariamente, os telejornais, principalmente de imprensa marrom, exibem notícias cruéis que acontecem nas cidades brasileiras. São imagens de furto, roubo e, ultimamente, até assassinatos. No entanto, nem tudo é como parece ser. Nem todas as pessoas, que cumprem medidas restritivas, fizeram parte de grandes projetos criminosos, ou apareceram em matérias noticiosas. Mesmo assim, esta população cresce a cada dia.
Atualmente, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo. São milhares de pessoas que estão “pagando por seus crimes”, sofrendo a distância de seus entes queridos, a restrição de liberdade. Muitas choram por seus filhos – no caso de uma Unidade Feminina – que lhes são tirados dos braços no sexto mês de vida. Mas será que estes encarcerados e encarceradas não mereceriam ter pelo menos o alento da religião?
As Igrejas Protestantes estão sempre atentas a esta população, que vive no mundo seu vale de lágrimas. Contudo, a população carcerária não se configura homogeneamente por uma confissão religiosa. Assim, como em toda a sociedade, a diversidade se faz presente dentro de uma Unidade Prisional. Não poderia ser diferente, no que se refere à confissão de fé. Por isso, há que se constatar um grande número de católicos e católicas na população carcerária.
A Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil, através da Conferência Nacional dos Bispos, tem em seu leque de trabalho a Pastoral Carcerária. Pastoral esta que tem como missão a evangelização e promoção da dignidade humana por meio da presença da Igreja nos cárceres. Infelizmente, os próprios sacerdotes, padres, diáconos, seminaristas que deveriam ser os animadores deste caminhar pastoral, parecem virar as costas à população em situação de cárcere. Fica-nos clara a omissão destes que deveriam ser liderança na Pastoral Carcerária.
São poucas as Unidades Prisionais que possuem uma equipe de visitação. Algumas até têm uma Celebração da Palavra, mas quase nenhuma é acompanhada de perto por ministros ordenados.
A que podemos atribuir tamanho descomprometimento?
Não foi a própria Palavra de Deus a nos interpelar ao compromisso com aqueles que estão em situação de cárcere? Lendo o Profeta Isaías (Is 61,1Ss), assim como seu paralelo, ou citação, no Evangelho de Lucas (4-16ss), fica-nos a certeza de que tanto a ação profética, quanto a própria identificação messiânica de Jesus, passa – incondicionalmente – pelo comprometimento com aqueles e aquelas que se encontram em situação de exclusão. Ora, todo aquele que dá o seu sim à condição de Ministro (ordenado ou não), carrega sobre si a vocação profética e a condição de seguidor de Jesus, o qual, foi “enviado para curar os corações feridos” (Is 61,1).
Pensando em tudo isso, gera-nos a iracundia necessária quando da constatação de que estes nossos irmãos e irmãs na fé, encontram-se abandonados como “ovelhas sem pastor”. Esta é uma realidade que urge ser mudada!
Oxalá, o Senhor da Messe suscite em nosso povo verdadeiros sacerdotes que antes de ir ao altar litúrgico passe pelo altar dos pobres, dos marginalizados, dos esquecidos, dos abandonados! Qualquer ministério ordenado que não se compreenda a partir do comprometimento para com os sofredores é mera hipocrisia!
Sobre a autora

Karina Moreti: é bacharel em Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco (2022) e em Comunicação Social – Jornalismo, pelo Centro Universitário Sagrado Coração (2007). Atualmente é jornalista do Blog Eclesialidade & Missão, e assessora movimentos eclesiais. Tem experiência na área de jornalismo impresso, jornalismo televisivo, jornalismo radiofônico e em jornalismo nas redes sociais e blogs. Em teologia, dedica-se ao estudo das Sagradas Escrituras.
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