Por Pe. Hermes A. Fernandes
Hoje, mais do que nunca, precisamos de pessoas dadas ao equilíbrio. Vivemos em tempos, nos quais, as pessoas creem que devem se posicionar radicalmente por um lado, execrando o outro. Há quem ridicularize toda e qualquer forma de devoção ou manifestação da religiosidade popular. Outrossim, também há quem pense que deva ser “cidadão do céu”, acreditado que a vida e os compromissos com a Terra e seus males, não são compatíveis com o conceito de pessoa religiosa. Ambos estão errados.
A religião, como a própria raiz etimológica nos indica, tem como função religar o sagrado ao humano. O sagrado ressignifica nossa história, não a anulando – como que por um platonismo distorcido – mas fazendo deste mundo o Reino de Deus. Muitos foram os santos e santas que souberam subir ao Tabor – enquanto mística orante – sem abandonar os calvários nossos de cada dia.
Neste contexto se encaixa São Pedro Frassati (São Pier Giorgio Frassati, 1901-1925). Rapaz de profunda intimidade com Deus, abraçava aos irmãos e às irmãs ao seu redor (sobretudo os mais pobres), para que – na horizontalidade de suas relações – pudesse viver a verticalidade da intimidade com Deus e seu Filho, Jesus. A eclesialidade de nosso santinho se traduzia em amar a Deus e ao próximo como um só movimento de consagração da vida. E algumas de suas palavras podem ser norte neste caminhar:
“Encontro-me todos os dias com Jesus na Eucaristia, e retribuo indo aos pobres.”
Sua sensibilidade e dedicação pelos vulneráveis foi seu testemunho de fé em Jesus e seu Evangelho. Ainda mais, São Pedro Frassati tinha uma visão ampla e sólida sobre a questão dos vulneráveis. Era de um coração oblativo, servindo aos menos favorecidos pela solidariedade e partilha. Porém, advertia:
“A caridade é importante, mas precisamos de reformas sociais.”
Com isso, podemos perceber que nosso santinho se agigantava em profecia. E essa dimensão de fé “pés no chão” se traduziu em compromisso social e político. Dedicou-se herculeamente em lutar contra o fascismo italiano, que dizimava vidas e cerceava liberdades.
Por que me identifico como devoto de São Pedro Frassati? Por meu compromisso com as causas populares, lutando pelos Direitos Humanos. Por entender que a chave de leitura mais apropriada para o Evangelho é a promoção da justiça. Por acreditar que a vida cristã se testemunha de forma concreta pela solidariedade e pela partilha, sinais claros do amor fraterno que nos identifica como seguidores e seguidoras de Jesus. Todas esta dinâmicas, estes caminhos do Reino, foram bem vividos e testemunhados por São Pedro Frassati. Homem que amou a Jesus, amando aos pobres. Viveu a caridade, também promovendo justiça social. Defendeu os Direitos Humanos, opondo-se às muitas formas de totalitarismos que surgem ao longo da história.

São Pedro Frassati,
Rogai por nós!
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