Reverendíssimo Abade;
Saudações em Cristo!
Há algum tempo tenho observado o trabalho feito por alguns padres, e o que está me chamando a atenção é a “evangelização” pelos meios de comunicação – TV, rádio, Internet… Não estou conseguindo enxergar onde estão os benefícios deste tipo de pregação em nível Povo de Deus, ou mesmo para a Igreja.
O que tenho observado é que os benefícios chegam apenas ao próprio sacerdote e sua turma. Estes homens estão enriquecendo através da fé de pessoas simples, que pagam qualquer quantia para um “cantinho no céu”. Na sua maioria são senhoras de idade avançada, que pagam pra auxiliar o seu “Star Priest” na construção de suntuosos Santuários. Aí eu me pergunto: por quê? Durante os últimos anos do papado de Francisco, falou-se muito sobre uma igreja em saída, onde somos nós, como missionários ad gentes, que vamos até o povo. Então para quê construir mais templos, mais santuários? Onde fica a Igreja que deixa a sua autorreferencialidade e o comodismo para ir ao encontro dos marginalizados e excluídos da sociedade, levando o Evangelho de Jesus Cristo?
A resposta é simples: o diabo continua a tentar no deserto e estes padres sucumbiram à tentação. A fama, o prestígio, o poder, a riqueza – tudo incorporado em showmissas, pregações sem nenhuma implicação ao magistério, sem nenhum ensinamento bíblico teológico, sem doutrina alguma da Igreja. O que vemos são instrumentalização da palavra de Deus para que o sacerdote continue a ganhar cada vez mais, tirando o pouco que o povo tem. Tiram o sustento do pobre para a manutenção de templos, dos quais, muitas vezes, o mesmo pobre, nem venha a conhecer em razão da distância.
Papa Francisco sempre pediu que os pastores tivessem cheiro de ovelhas, não que fizessem do povo um gado que não sabe pra onde vai.
Agora, meu irmão, te pergunto: o que nós podemos fazer sobre isso?
É muito triste ver um sacerdote utilizando da Palavra de Deus para poder manter o seu status, seu poder e sua riqueza. Enquanto que a riqueza da Igreja mora sob as marquises da história.
Já dizia uma voz célebre da patrística: “a riqueza da Igreja é os pobres”.
Fique na Paz,
Karina Moreti
Nota:
“Frei Tibúrcio” é uma metáfora. Personagem fictício que simboliza todos e todas a quem a carta poderá chegar. Trata-se de uma Carta Aberta a todo Povo de Deus.
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