“Esquecer das pessoas é traição a Deus” | Reflexão para o 26º Domingo do Tempo Comum, com Diácono Bernardo Rangel Tura


A Palavra de Deus nos leva a refletir sobre um grande mal de nossa geração: a indiferença, que pode ser ainda pior se associada à ganância ou à opulência. Fechar os olhos e os ouvidos ao sofrimento e ao clamor das pessoas e da mãe terra é, não só um grave pecado, como também é trilhar o caminho da condenação.

Na primeira leitura, Amós adverte exatamente sobre isso aos ricos e poderosos, que vivem na segurança de casas confortáveis e luxuosas, comendo e bebendo do bom e do melhor, mas “não se preocupam com a ruína de José”. Aqui fica claro que a indiferença aos dramas sociais foi o motivo de sua condenação e que isso não é o caminho que Deus nos pede para seguir.

Na segunda leitura, Paulo, que acabara de falar a Timóteo que o amor ao dinheiro era a raiz de todos os males, agora o aconselha “Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas” e o chama a uma vida na fé na justiça, no amor e na caridade. Vale observar que Paulo o chama a travar o bom combate que, na minha visão, é não se omitir frente à injustiça e ao sofrimento humano.

No Evangelho, Jesus nos fala de Lázaro e de um rico sem nome e só esse detalhe nos mostra quem é importante para Ele. Em caso de dúvidas vejam o salmo, qualquer leitor atento nota que havia um total e absoluto desprezo pela dor do pobre. Este abismo social na terra será uma barreira intransponível na vida futura … Me dói pensar que Abraão lembra o risco insensível, que lhe fora ensinado e que devia agir de forma diversa: “Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!”

Quanto a nós, vamos sair no mundo para ouvir o clamor da terra e dos pobres. Não podemos ser indiferentes ao sofrimento das pessoas – principalmente as das periferias sociais e existenciais –, devemos promover o bem comum e proteger a vida, criar uma sociedade com justiça e paz, acolhendo e incluindo toda a humanidade. Por mais longa e difícil que seja esta conduta, ela vale a pena, pois nos leva até a terra sem males.

A todas as pessoas que esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


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