“A fé que nos sustenta e nos compromete” | Reflexão para o 27° Domingo do Tempo Comum, com Diácono Bernardo Rangel Tura

A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre o papel da fé em nossa vida e caminhada. Quando somos confrontados com nossas fraquezas, nossos limites e nos sentimos derrotados, ela nos sustenta a ir adiante, posto que é a fé que nos chama a um anúncio radical do Reino dos Céus.

Na primeira leitura, Habacuc denuncia um grande mal e a sua impotência frente à violência e à maldade que presencia. Diante disto, muitas pessoas simplesmente desistem e se omitem, mas a fé lhe dá a certeza que mesmo que demore a justiça irá acontecer e isso faz com que ele continue na busca por um mundo melhor.

Na segunda leitura, Timóteo é jovem e sente-se inseguro frente ao testemunho que é chamado e ao destino cruel que será dado a Paulo. Quantos nesta situação não se acovardam? Esta é a saída mais fácil, porém ele sabe que recebeu um espírito “de fortaleza, de amor e sobriedade” e que, por isso, fará o anúncio do Reino mesmo sabendo que esta atitude profética pode custar muito caro.

No Evangelho, os discípulos ouvem falar sobre o perdão sem medidas e se reconhecem fracos demais para seguir este mandamento. Por isso pedem: “Aumenta a nossa fé!”, porém o que interessa não é a quantidade de fé e sim a qualidade dela e então Jesus nos fala do serviço desprendido. Na sociedade que entende ações como investimentos que devem ser pagos ou recompensados, Jesus nos chama para agir de forma humilde, sem esperar mérito ou recompensada, não se trata de uma obrigação e sim de um compromisso com o Reino dos Céus e a sua justiça.

Quanto a nós, vamos sair no mundo cientes de nossos limites e fraquezas, sabemos que há várias injustiças que precisam ser denunciadas e que podem ser pesadas demais para nós, porém a fé nos sustentará nesta caminhada e por isso serviremos a todas as pessoas – principalmente as das periferias sociais e existenciais – promovendo a vida e a dignidade humana, praticando a inclusão radical e criando uma sociedade justa e fraterna em convivência com a casa comum até o dia que chegaremos na terra sem males.

A todas as pessoas que esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


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