“Negra Mariama nos chama ao amor” | Reflexão para a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, com Diácono Bernardo Rangel Tura


A Palavra de Deus, no dia de Nossa Senhora Aparecida, nos leva a refletir sobre duas realidades intimamente ligadas, mas que normalmente se quer ignorar: Deus escolheu os vulneráveis e a Igreja foi criada para estar ao lado deles. A minha reflexão é muito influenciada pela exortação Diliexi Te do Papa leão XIV e da observação da presença feminina nas leituras.

Na primeira leitura, Ester, órfã e imigrante, está diante de uma situação terrível que levará ao extermínio de seu povo, mas os poderosos esquecem que Deus escolhe os pobres e vulneráveis e por meio dela providencia a sobrevivência de seu povo. Ester nos ensina que quem segue Jesus assume o compromisso com a vida integralmente e age para superar toda a cultura da morte e do descarte.

Na segunda leitura, vemos um grande sinal que nos emociona pois nos lembra a realização da promessa da Salvação, porém o mal avança contra esta alegria, os dragões de hoje perseguem as populações vulneráveis e buscam poder e fortuna. Cabe a nós sermos a igreja fraca e pobre, que se ergue para impedir o mal e proteger as pessoas.

No Evangelho, vemos a triste situação de uma família pobre que vive na periferia de Israel e que está frente a uma humilhação social. Maria não se omite e age confiando que seu filho ouvirá o seu apelo. Este compromisso nos dá o primeiro Sinal de Jesus, que se realiza entre os pobres na periferia da sociedade, mas na centralidade do Amor. Porém uma coisa me chama atenção, o mestre da sala exclama: “Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” O vinho é um dos símbolos da vida e isso me leva a refletir: a escolha de amar os pobres e vulneráveis pode ser o nosso “vinho melhor”?

Quanto a nós, vamos sair ao mundo numa atitude amor. Não precisamos de força ou poder para construir um mundo melhor, para promover a vida e a dignidade humana. Vamos cuidar das pessoas – principalmente as das periferias sociais e existenciais – garantido o que é necessário para uma vida plena e um mundo de justiça e paz. O caminho será difícil, mas a marcha final será linda.

A todas as pessoas que essa mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro


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