Por Rosangela dos Santos, mmx
É impossível imaginar que três irmãs idosas e indefesas, Olga Raschietti, Lúcia Pulici e Bernadetta Boggian, Missionárias de Maria Xaverianas, que viviam em simplicidade e em contato amigável com o povo, pudessem ser desumanamente assassinadas. Era dia 7 e 8 de setembro de 2004, quando a família xaveriana e mundo receberam a triste notícia. Suas mortes são lembradas como um martírio.
As circunstâncias do crime nunca foram totalmente esclarecidas, mas para nós cristãos, é considerado um martírio, vidas doadas e dedicadas à missão e ao serviço dos mais necessitados, que foram brutalmente silenciadas. O sacrifício dessas irmãs se tornou um símbolo de esperança, reforçando o compromisso e empenho com a evangelização, sobretudo nos contextos mais difíceis.
Toda a nossa história sempre foi marcada por homens e mulheres que ousaram desafiar as injustiças e a opressão ao ponto de entregarem suas vidas na luta por justiça e paz. Muitos foram os mártires da esperança na história do cristianismo, muitos foram as testemunhas de Cristo, e deixam um legado de amor para a humanidade, especialmente neste século marcado por tantas guerras e injustiças. Olga, Lúcia e Bernadetta seguiram esses passos, dando a vida até o fim. Que o sangue derramado seja fruto de muita fé e paz para o povo do Burundi e para o mundo inteiro.
A fonte da Esperança está em Deus e no serviço aos irmãos: em seus escritos e palavras vemos que viveram uma vida totalmente doada e sem reservas, na alegria de servir o Reino:
Bernadetta amava a missão que Deus lhe confiou e buscava viver com e para o povo. Ela mesma dizia: “A África que encontrei fortaleceu minha confiança em Deus; fiquei impressionada com a recepção calorosa, a alegria de compartilhar o pouco que existe com o hóspede, a alegria de encontrar, sem calcular o tempo… Precisamos cultivar dentro de nós uma visão de simpatia, respeito e apreço pelos valores das culturas e tradições dos povos que encontramos”.
Com mais de oitenta anos, Olga Raschetti falava da alegria de partir com seu povo: “Parto com alegria para a África, com o desejo de continuar a comunicar a palavra de Deus e testemunhar o seu grande amor por nós, por todos. Sinto fortemente que a oração é necessária para uma verdadeira missão: precisamos estar com Jesus para compreender o poder do Evangelho, o único poder que pode transformar o mundo e mudar a história”. E nesse espírito de entrega e oração que seu sangue foi derramado, tornando-se luz para outros.
Lúcia era uma pessoa amável e simples, e sua entrega foi incondicional. Ela escreveu: “Pela minha vida não tenho medo. Já avisei: se eu morrer, deixem-me lá. Sempre quis morrer na África para ressuscitar no último dia com o povo africano, o povo a quem o Senhor me enviou”. Esse desejo vem de sua vida de contemplação, silêncio e seguimento de Cristo. De suas próprias palavras, lemos: “(…) O amor de Jesus me ajudou a crescer em comunhão com Ele, na minha busca apaixonada por Ele. Sinto que busquei Jesus apaixonadamente durante toda a minha vida”.
Elas são para nós sementes que geram a Vida. Pode-se dizer que, depois de seus martírios, houve a graça de ter na história da congregação as primeiras irmãs burundeses, a casa onde viviam foi transformada em um lugar de oração, e as três estão enterradas na terra que tanto amaram: três sinais de esperança e do Evangelho tornado vida nestas terras. De fato, a morte de um profeta, de um mártir, não é um fim, mas um recomeço, calam-se os profetas mas suas vozes ressoam até os confins do mundo. De fato a semente que morre gera nova vida, “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”. (Jo 24,14).
A vida de Olga, Lucia e Bernadetta continuam sendo sinais de Esperança entre os povos e e sinais tangíveis do Reino de Deus. Que seus exemplos nos ajudem a manter sempre o desejo e empenho de promover um mundo mais humano e fraterno.
Colaborou: Missionários Xaverinos
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