Por Rafael Lopez Villasenor
Padre Paolo Manna (1872–1952) nasceu em 16 de janeiro de 1872, em Avelino, Itália. Ingressou no Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME) em 1891. Foi ordenado sacerdote em Milão, no dia 19 de maio de 1894. Enviado como missionário à Birmânia Oriental, onde atuou entre 1895 e 1907. Problemas de saúde, entretanto, o obrigaram a retornar à Itália.
A partir de 1909, dedicou-se a difundir o ideal missionário na Itália, entre o clero e o povo de Deus, por mais de quatro décadas. Entre 1909 e 1921, dirigiu a revista Le Missioni Cattoliche, incentivando o clero italiano a engajar-se ativamente na missão universal. Para ele, a missão não era opcional, mas um dever essencial para todos os cristãos, sobretudo para os sacerdotes. Sua visão era clara: “ou partir ou enviar” todos devem colaborar na propagação da fé. Criticava a quase inexistente ação missionária entre os católicos italianos, apontando a falta de uma educação missionária adequada.
Padre Paolo Manna valorizava o uso da imprensa para formar a consciência missionária do povo de Deus, ressaltando que a missão exige homens com visão, generosidade e amor a Cristo. O seu lema era: “Toda a Igreja para o mundo inteiro!”. Para ele, a cooperação material com as missões deveria surgir de católicos convictos e bem formados. Enxergava no clero o principal agente de animação missionária para o povo. Em 1912, foi criado o Secretariado de Bérgamo, primeira ação organizada de caráter missionário na Itália.
Fundou a União Missionária do Clero em colaboração com São Guido Maria Conforti, bispo de Parma (Itália) e fundador dos Missionários Xaverianos, que exerceu a presidência entre 1917 e 1927. A União foi aprovada oficialmente pelo Papa Bento XV em 31 de outubro de 1916. Com o reconhecimento oficial da Santa Sé, teve autoridade universal na renovação e dinamização da ação missionária da Igreja. A União foi estruturada em diferentes categorias como honorários (bispos), ordinários (sacerdotes e seminaristas) e organizada em instâncias locais, promovia encontros formativos e publicações com a finalidade de animar e fortalecer o compromisso missionário.
Manna enfatizava a importância da formação do clero para a missão, por meio de congressos e encontros, mesmo diante das dificuldades da Primeira Guerra Mundial. Após o conflito, a União Missionária retomou suas atividades em 1917, sendo impulsionada literatura missionária, que exortava os sacerdotes a assumirem o papel evangelizador e a participarem da União. O sucesso missionário contou com grande receptividade do povo e com a energia dos sacerdotes engajados, tornando-se um marco fundamental para a cooperação missionária da Igreja na Itália, mesmo em tempos difíceis.
Entre 1924 e 1934, foi superior geral do PIME e a partir de 1934, tornou-se o primeiro superior regional do Sul da Itália. Faleceu em Nápoles, no dia 5 de setembro de 1952. O Papa Pio XII, em 1956, declarou a União Missionária como “Pontifícia”, ampliou-a para os religiosos e religiosas, de vida ativa e contemplativa, inclusive para aqueles que, de uma forma ou de outra, participam na animação e formação missionária das comunidades cristãs. Em 2001, o Papa João Paulo II proclamou Paolo Manna bem-aventurado.
Colaborou: Missionários Xaverianos
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