Por Aíla Luzia Pinheiro de Andrade
Esta pergunta aborda uma questão histórica e teologicamente complexa. O Deus revelado nas Escrituras não possui um nome como os deuses das demais nações. Esses nomes são títulos ou epítetos que refletem os atributos, papéis ou maneiras pelas quais Deus foi vivenciado em diferentes épocas e lugares. Antes de tudo, Deus se identifica como o Deus dos pais (patriarcas), o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, para mostrar que Deus não deve ser limitado por um nome específico, nem está determinado a um lugar, mas a relacionamentos com pessoas a quem ele se revelou.
Em segundo lugar, ao se revelar a Moisés na sarça ardente, Deus se define como “Eu sou o que sou” ou, em outra tradução, “Eu serei o que serei”. Dessa definição surgiu o tetragrama, as quatro letras YHWH, derivado da raiz hebraica HYH, que significa “ser” ou “estar”. YHWH, em algumas edições cristãs da bíblia, aparece como Yahweh, numa tentativa de pronunciar o tetragrama, embora a pronúncia original tenha se perdido.
Na bíblia hebraica, os diferentes nomes para Deus aparecem como expressões de diferentes ênfases teológicas, camadas históricas de tradição e influências regionais.
Elohim é uma palavra gramaticalmente plural (de El), mas é usada com verbos no singular quando se refere ao Deus de Israel. Deriva do termo El, principal divindade do panteão ugarítico (civilização cananeia).
Shaddai é frequentemente traduzido como “Deus Todo-Poderoso”, embora sua etimologia seja controversa. O termo pode estar relacionado ao acadiano Shadu (montanha), aludindo a um Deus da montanha, mas também pode derivar de uma palavra que significa “destruir”, daí a tradução por “o Dominador” ou “o Todo-Poderoso”.
Adonay é uma substituição reverente, “meu Senhor”, para o tetragrama não ser pronunciado, pois não se podia pronunciar YHWH, o nome dado a Deus.
Em resumo, o Deus da bíblia não tem nome. A multiplicidade de nomes reflete uma evolução teológica complexa dentro da religião israelita, incorporando tradições cananeias anteriores, desenvolvimento do monoteísmo e experiências religiosas variadas.
Colaborou: fiquefirme.com.br
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