A palavra de Deus nos chama a refletir sobre a natureza da realeza deJesus.Dá-me uma certa tristeza quando ouço idéias dele como um rei terreno. Jesus nos revelou uma nova forma de viver e agir, e sua mensagem só se materializa num Reino de solidariedade e cuidado, no qual a justiça se realiza pela misericórdia.
Na primeira leitura, Davi é ungido rei a partir de uma aliança com o povo, que afirma: “Somos teus ossos e tua carne”. Não é domínio e sim cuidado. O novo rei será um pastor que apascentará as pessoas. Este é o protótipo de todo governo que Deus quer para nós.
Na segunda leitura, Paulo nos fala do Reino que nos foi dado por amor e não por mérito. Fomos recebidos através do perdão dos pecados. É o acolhimento radical que Jesus nos chama a viver. Este é o Reino da reconciliação e da solidariedade e não dá conquista e da força.
No Evangelho, vemos uma situação terrível: o povo observa o sofrimento de Jesus, os religiosos zombam e os soldados O desafiam: “Salve-se a si mesmo”. No meio disso tudo surge uma voz dissonante de um homem que reconhece sua culpa e não espera perdão; apenas pede ao Rei: “Lembra-te de mim”. Mas ele não sabia que a justiça divina opera pela misericórdia e que o Rei é um pastor que cuida das ovelhas e, aquele momento o acolhe no Reino.
Quanto a nós, vamos sair pelo mundo comprometendo-nos com o projeto deste Reino que Jesus nos revelou. É preciso cuidar das pessoas – principalmente aquelas das periferias sociais e existenciais -. Devemos buscar uma nova sociedade baseada na inclusão radical e na justiça social, para que o bem comum seja promovido e para que a vida e a dignidade humana sejam protegidas. Precisamos criar uma grande aliança em que toda criação seja cuidada e em que nossas relações sejam restauradas, até o dia que chegaremos juntos à terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
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