Por que um bispo para acompanhar pessoas LGBTQIAPN+?

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Atendendo às questões deixadas no e-mail do blog Eclesialidade & Missão, gostaria de oferecer algumas palavras, quiçá animadoras, sobre a nomeação do Bispo da Diocese de Jundiaí, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, para acompanhar mais de perto pessoas LGBTQIAPN+.

Primeiramente, precisamos entender porque a Igreja indica bispos para acompanhar grupos específicos de pessoas. Na caminhada de Jesus com seus discípulos, Ele mesmo – o Mestre – precisou lidar com as particularidades humanas e realidades históricas de cada discípulo e discípula. Nenhum daqueles e daquelas que seguiam a Jesus eram iguais. Em verdade, cada ser humano é único e buscar uma uniformidade engessada é uma forma de violência. A pregação de Jesus invocava mudança de vida, enquanto comportamentos não condizentes à vivência do amor de forma plena. Isto evoca conversões éticas, na mútua relação entre as pessoas, em beneficio da fraternidade, da justiça e da paz. Na pregação de Jesus está sempre esse apelo: a construção de uma sociedade mais fraterna, justa e pacífica. As palavras de Jesus estiveram sempre na perspectiva do amor, que possibilita a construção do Reino. Amar significa acolher, cuidar, transformar. Por isso, qualquer grupo humano precisa ter atenção especial da Igreja, se ela pretende (de fato) ser continuadora dos ensinamentos e das ações de Jesus de forma concreta e eficaz.

Pessoas LGBTQIAPN+ existem entre nós e precisamos nos alegrar com a presença destes irmãos e irmãs. Eles e elas têm direito à pertença nas comunidades eclesiais e precisam de atenção da ação evangelizadora da Igreja, tanto quanto quaisquer outros grupos de pessoas. Lamentavelmente, a sociedade anda doente por intolerâncias muitas. Ao verificar os noticiários e as redes sociais, constantemente somos impactados por notícias de violências psíquicas e físicas, dirigidas às mulheres (em forma de misoginia e feminicídio), aos estrangeiros (em forma de xenofobia aos migrantes todos), às pessoas homossexuais (em forma de homofobia), às pessoas em situação de cárcere e pós cárcere, entre muitas outras formas de exclusão e marginalização. Historicamente, a Igreja tem se posicionado no desejo de cuidar destas pessoas por uma atenção especializada. Em nosso caminhar, vimos nascer no meio eclesial grupos de atenção especializada a estes e estas que sofrem violências tais quais as descritas acima. Pastoral Carcerária, Pastoral do Migrante, Pastoral das Pessoas em Situação de Rua, Centros de Defesa de Direitos Humanos etc. Com a maturidade de seu caminhar junto aos excluídos, nada mais lógico e justo do que a Igreja se entenda responsável por cuidar de pessoas LGBTQIAPN+, face aos muitos sinais de violência que sofrem, em uma sociedade doente pela intolerância e ódio institucionalizado.

Neste sentido, gostaria de tranquilizar aos irmãos e irmãs, leitores de nosso blog, quanto à nomeação de um bispo para o cuidado especial das pessoas LGBTQIAPN+. A Igreja, com isso, pretende ser – ainda mais – comprometida com o Evangelho de Jesus e com o Reino de Deus que Ele anuncia. Conforme Ele mesmo disse: “Na Casa do meu Pai, há muitas moradas” (Jo 14,2). Neste sentido, no Reino de Deus há lugar para todos e todas, sem distinções ou acepções. E se é assim no Reino de Deus, não poderia ser diferente na Igreja!

Alegremo-nos! A Igreja tendo atenção especial a todos aqueles e aquelas em situação de exclusão é um testemunho maduro de que o Evangelho de Jesus é caminho de transformação da sociedade, tornando-a mais justa e fraterna. E quem não entende isso, precisa rever sua catequese.

Parabéns, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, por aceitar tão bela e desafiadora missão!


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