Resposta de Luiz da Rosa
Segundo a tradição, o casamento era precedido por um período de noivado, que começava com um acordo entre as duas famílias dos noivos. Esse noivado tinha o mesmo valor que o casamento e os dois eram já, portanto, comprometidos um ao outro como se fossem casados. Eles não podiam se encontrar; eventualmente se viam só de longe e acompanhados. Alguns dizem que esse período podia durar até um ano. Depois desse período, aconteciam as núpcias e os noivos passavam a viver juntos.
No caso de Maria, a anunciação do anjo dizendo que ela conceberia a Jesus teria acontecido durante o ano de noivado. Maria era, como dito, como uma mulher casada. Se não podia encontrar José, seu esposo, estar grávida significava ter infringido a lei do matrimônio, ter cometido adultério. Essa infração levava a mulher a ser condenada à pena de morte, como dito em Levíticos 20,10. Essa é uma realidade que precisamos considerar quando lemos o que os evangelhos dizem sobre a infância de Cristo.
Pouco se diz nos evangelhos sobre José. É Mateus que presta especial atenção à figura do noivo de Maria, oferecendo-nos um retrato requintado e inesquecível de José. De fato, o primeiro Evangelista descreve como ele, a princípio, diante da gravidez inesperada da sua noiva, gostaria de sair respeitosamente de uma história maior do que ele, sem oprimir com sua presença a jovem mulher que ele ama profundamente, e a misteriosa criança que ela espera: “José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo” (Mateus 1,19).
O fato de José ser “homem justo” significava que era uma pessoa disposta a cumprir fielmente a vontade divina. Por isso, obediente à palavra de Deus, ele consignou sua própria vida a um plano que o transcende, aceitando a ordem tomar Maria com ele. Esta é a retidão de José, que não é simplesmente a retidão da observância escrupulosa dos mandamentos, mas a retidão que é uma busca integral da vontade divina, aceita com plena obediência. Ele permanecerá assim próximo de sua mulher como um marido fiel, e daquela criança como uma figura paternal positiva e responsável. A assunção desta responsabilidade se expressa no fato de que é José – segundo a ordem do anjo – quem dá o nome de Jesus ao filho gerado por Maria. O ato de dar o nome significa que ele dá a essa criança sua identidade social e que, precisamente por isso, Jesus pode ser reconhecido como um verdadeiro descendente de Davi, como exige a natureza do Messias esperado. Esta criança é, portanto, confiada à responsabilidade e ao amor de José e, através dele, Deus dá à história humana o maior penhor de sua fidelidade, aquele que é o “Emanuel”, o “Deus-conosco” profetizado por Isaías. Naturalmente, tudo isso está envolto no mistério de Deus, que só pode ser acessado através da fé.
Prof. Luiz da Rosa

Natural de Santa Catarina, casado, vive atualmente em Roma, na Itália, onde trabalha como diretor de comunicações do Instituto dos Irmãos Maristas.
Possui o Bacharelado em Filosofia (1988-1990 – Instituto Filosófico Franciscano de Curitiba). Cursou 4 anos de teologia em Jerusalém (1991-1994 – Istituto teologico Ierosolumitano). Conseguiu o Mestrado em Ciências Bíblicas no Pontífico Instituto Bíblico de Roma (1996-2000) .
Foi Professor de Sacrada Escritura no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (1995 e 2001) e também professor de Tecnologias da Comunicação em Âmbito Religioso, de 2009 a 2011, na Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma.
Colaborou: abiblia.org
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