Por Pe. Hermes A. Fernandes
Escrevo este texto motivado pela dor. Há muito tenho me incomodado pelo que assisto e leio nas redes sociais. Difícil acreditar que muito do que ali se encontra possa ter origem em pessoas que se dizem seguidores e seguidoras de Jesus. Mais parece que o Senhor, quem trouxe o amor em sua radicalidade de Cruz, nos deixou. Ou será que somos nós que o abandonamos?
A cada semana se renova o motivo, mas não se ausenta o conflito. Uma única notícia serve de gatilho para teorias de conspiração, declarações ardorosas de apoio a uns, por meio de ódio a outros. E geralmente estes arroubos vêm de pessoas que sequer tem real conhecimento dos fatos. Importa estar engajado e gerar engajamento. A verdade não importa, o amor não importa, Jesus não importa! O que importa é que os algoritmos trabalhem, mantendo conteúdos visualizados, sem um claro objetivo final.
Se alguém ama os pobres, e se outro alguém ama menos; ambos são imediatamente cercados virtualmente de seus aliados. Pronto! Começa o bombardeio. Os a favor e os contra. Os de um lado e os de outro. Por fim, não mais importam os pobres. Importa o “meu lado da história”, porque eu me alistei na guerra de teorias, conspirações, ataques.
Se alguém quer a missa mais inculturada, há outro alguém que queira substituir o texto pelas rubricas. E vídeos são gravados com palavras de ordem: “sacrilégio!”, “heresia!”. Interessante é perceber que Aquele que é celebrado, pouco importa aos querelantes. O importante é meu lado nesta historia, os algoritmos, a estatística dos engajamentos. São liturgistas sem Deus. Apologetas, sem Jesus.
E se um bispo toma uma decisão que não agrade a todos? Aí o vespeiro se forma em nuvem e ataques. Só que essas vespas não perguntam ao bispo os motivos de suas decisões. Preferem suas teorias e conspirações. Porque a verdade não gera engajamento. E como disse Pilatos: “o que é a verdade?” (cf. Jo 18,38).
Quem lê estas minhas palavras, pode pensar que estou defendendo um pacifismo alienado. Um posicionamento neutro, ao nível de“em cima do muro”. Não me entendam mal. Não estou propondo obediência cega, neutralidade alienada ou superficialidade nas relações humanas. O que pretendo é convidar para que façamos um movimento de olhar para trás. Buscar o sentido e a motivação de nossa Iniciação Cristã. Professamos a fé em Deus que criou a tudo por amor, em Jesus que a todos e todas salvou por amor e ao Espírito Santo que nos anima no amor. Vendo os fenômenos que nos cercam, onde está o amor? E se não há amor presente, não há Deus (cf. 1Jo 4,19-20).
Precisamos voltar ao nosso ponto de partida. Entender o porquê de sermos Igreja. Ou viveremos por mais algum tempo esta Igreja de coração partido.
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