Reflexão com Pe. José Oscar Beozzo para a Solenidade da Epifania do Senhor


Entre Natal, a 24 de dezembro e a Epifania, a 06 de janeiro, conhecida como festa dos Reis Magos, nos interiores do Brasil, as Folia de Reis, ou as Pastorinhas, na tradição do Nordeste, peregrinam de casa em casa, portando a bandeira em honra do Menino Deus. Como os três Reis Magos, Baltasar, Melquior e Gaspar, prestam sua homenagem ao Menino. Cantam e recolhem prendas que terminam numa grande mesa de partilha solidária, em que todos podem participar e comer gratuitamente. É festa de alegria, de dons partilhados e de estreitamente dos laços comunitários: “Dai de graça, o que de graça recebestes” (Mt 10, 8).


Na Áustria, as crianças e jovens das paróquias e colégios católicos vão também de casa em casa, cantar cantigas dos Reis, ganhar algum agrado e recolher doações para milhares de ações solidárias da Igreja local em favor de comunidades necessitadas da América Latina, Caribe, Ásia e sobretudo África.


A palavra Epifania significa, Manifestação, com o horizonte alargado, não apenas para o povo de Israel, mas para todos os povos, para os gentios e pagãos.


Para o povo de Israel, a mensagem chegou por meio de pastores, que na noite escura, velavam pelo rebanho a céu aberto e foram envolvidos por uma grande luz, tomados por grande temor e receberam o anúncio do anjo:


“Não temais. Vede: Dou- vos uma boa notícia, uma grande alegria para todo o povo. Hoje, nasceu para vós na cidade de Davi, o Salvador, o Messias e Senhor”. (Lc 2, 10).


Na festa de hoje, temos homens inquietos que vem de longe e chegam a Jerusalém perguntando:

“Onde está o rei dos judeus, que acaba de nasceu. Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2, 1-2).


“Ao saber disso, Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: ‘Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: ‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum es a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá o chefe que vai ser o pastor de Israel, meu povo’”.


Os chefes religiosos sabem pelas Escrituras, onde deve nascer o Messias, mas não partem imediatamente para adorá-lo. Herodes fica sabendo, mas já arquiteta a maneira de eliminar o menino, provável ameaça ao seu trono ilegítimo.


Os magos, sem as escrituras, tem que se abrir para outros sinais, voltando-se para o que já intuíam os salmos:


“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” Sl 19, 1.


A natureza e toda a criação são o grande livro onde vão sendo narradas as maravilhas de Deus e aí encontram muitos uma luz para suas vidas.


Os magos deixam-se guiar pela estrela que os conduz até Belém, onde encontram Maria e o Menino, ajoelham-se e entregam seus presentes: ouro, incenso e mirra.


As grandes ameaças que pesam nossa Casa Comum, tem levado sobretudo crianças e jovens a encontrar ali um apelo e um compromisso mais profundo em suas vidas, vislumbrando na beleza da criação a mão do Criador, mas também a interpelação: O que estamos fazendo com nossa mãe Terra, com a destruição acelerada das bases de reprodução da vida?


Comenta Pagola:


“… nestes tempos temos de voltar a recordar que ser crente é, antes de qualquer coisa, perguntar apaixonadamente pelo sentido da nossa vida e estar abertos a uma resposta, mesmo quando não a vejamos de forma clara e precisa.


O relato dos magos foi visto pelos Padres da Igreja como exemplo de alguns homens que, ainda vivendo nas trevas do paganismo, foram capazes de responder fielmente à luz que os chamava à fé. São homens que, com a sua atuação, nos convidam a escutar toda a chamada que nos urge a caminhar de maneira fiel para Cristo.


A nossa vida decorre com frequência na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas, levam-nos e trazem-nos, e a vida passa-nos enchendo cada instante com algo que temos de fazer, dizer, ver ou planejar.


Corremos assim o risco de perder a nossa própria identidade, converter-nos numa coisa mais entre outras e viver sem saber já em que direção caminhar. Há uma luz capaz de orientar a nossa existência? Há uma resposta aos nossos anseios e aspirações mais profundas? Desde a fé cristã, essa resposta existe. Essa luz brilha já nesse Menino nascido em Belém.


[…] Estamos hoje não mais diante apenas da criança na manjedoura, mas do Rei da glória que visita a humanidade e a quem a Igreja, a exemplo dos Magos, leva os presentes da sua fé, da sua esperança e da sua caridade. Bem mais que dos Reis Magos, a festa, hoje, é do Rei”


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