Invasão militar da Venezuela pelos Estados Unidos
Por Frei Marcos Sassatelli, OP
Hoje, o Capitalismo é o mal estrutural mundial, ou – em linguagem teológica – o pecado estrutural mundial, legalizado e institucionalizado.
A invasão militar da Venezuela pelos Estados Unidos e seu presidente Donald Trump – ocorrida no início de janeiro deste ano de 2026 – condenada pela ONU e pela Comunidade Internacional – é atualmente a prova mais evidente dessa realidade iníqua, perversa e diabólica, que é o Capitalismo (ou “Capetalismo”).
Pergunto: Quem elegeu Donald Trump presidente do mundo? Com que direito invadiu militarmente a Venezuela, desrespeitando gravemente o povo de outro país e matando vítimas Inocentes?
Na invasão da Venezuela, os principais direitos gravemente desrespeitados – além de outros – são:
“Violação da Soberania Nacional: A ação militar direta dos EUA no território venezuelano, sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, desrespeita o princípio fundamental da soberania dos Estados, consagrado na Carta das Nações Unidas.
Proibição do Uso da Força: O direito internacional proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, exceto em casos de legítima defesa ou com mandato da ONU. Especialistas foram unânimes em apontar a ilegalidade (e – acrescento – a imoralidade) da ação.
Violação de Direitos Humanos Fundamentais: O ataque resultou em mortes (ao menos 40 pessoas, segundo relatos iniciais) e muitos atos de violência contra o direito à vida de civis e militares envolvidos.
Desrespeito ao Devido Processo Legal: A operação, que incluiu a captura do presidente Nicolás Maduro para ser julgado nos EUA, foi considerada um ‘sequestro’ e uma clara violação das normas internacionais de extradição e do devido processo legal”.
Além de muitas outras Organizações civis e religiosas, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) e o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) condenaram (em nome da Igreja da Venezuela e de toda a América Latina) a agressão militar externa e rejeitaram qualquer intervenção estrangeira na Venezuela, defendendo a soberania do país e a busca por soluções pacíficas.
A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV):
Rechaçou veementemente as ações militares dos EUA que resultaram na captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores e pediu o fim da violência.
Convidou o povo venezuelano a manter a serenidade, a sabedoria e a fortaleza diante dos acontecimentos recentes e a perseverar na oração pela unidade nacional.
Expressou solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e aos familiares dos falecidos e fslecidas.
Defendeu a Soberania e enfatizou que a situação deve ser resolvida internamente, sem ingerências externas, garantindo a soberania do país.
Manifestou proximidade e solidariedade ao povo venezuelano em meio à angústia e ansiedade provocadas pela crise política e social.
O Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM):
Divulgou uma Nota, condenando a agressão militar, rejeitando a violência, a intervenção externa e defendendo o diálogo e a negociação, no respeito à vontade do povo venezuelano. A nota sublinha que “o bem do povo deve estar sempre acima de qualquer outra consideração”.
Em nome de toda a Igreja Cristã Católica, o Papa Leão XIV afirmou: “O bem-estar do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre todas as outras considerações e levar à superação da violência e ao início de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país” (domingo, 04 de janeiro/26).
O CELAM, a CEV e o Papa concordam que o bem-estar do povo venezuelano deve prevalecer sobre quaisquer outras considerações políticas ou militares e que a crise deve ser resolvida através de caminhos de justiça, paz, diálogo e em conformidade com o direito internacional.
Por fim, fiquei contente de ver a Igreja à qual pertenço – que é santa (graça estrutural da Instituição e graças pessoais dos cristãos/ãs) e – ao mesmo tempo – pecadora (pecado estrutural da Instituição e pecados pessoais dos cristãos/ãs) – se posicionar pública e profeticamente contra a invasão da Venezuela.
Os cristãos e cristãs precisamos lutar muito para sermos de verdade e sempre:
uma Igreja Comunidade de irmãos e irmãs que – na pluralidade dos ministérios (serviços) e diversidade dos carismas (dons) – têm a mesma dignidade e o mesmo valor;
uma Igreja realmente evangélica, profética, pobre e dos pobres;
uma Igreja que – sendo dos pobres – é de todos aqueles e aquelas que querem seguir o caminho de Jesus e das primeiras Comunidades cristãs, hoje.
Nunca é demais lembrar: se queremos ser cristãos e cristãs de verdade, precisamos ser radicalmente seres humanos. O verdadeiro cristianismo é um humanismo natural e um naturalismo humano radicais.
Unidos e unidas na luta por um outro Mundo possível: um Mundo Novo, sempre mais Novo.

Frei Marcos Sassatelli, é um frade da Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Conhecido por seu engajamento em pastorais socioambientais, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), e na Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, com atuação marcante em Goiás, sendo professor aposentado da UFG e doutor em Filosofia e Teologia Moral, atuando ativamente em temas sociais e ambientais.
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