Mateus 4,12-23
Pesquisando em algumas traduções, percebemos que no versículo 17 do texto escolhido, quando Jesus convoca seus discípulos, onde há “está próximo” há em alguns textos “é chegado” ou “chegou de fato”, e convenhamos que há diferença de sentido nesses termos, há um senso de urgência maior em um deles. Fico com “é chegado” ou “chegou de fato”.
Na resposta daqueles homens também tem uma palavra que retrata essa urgência: diz-se que eles “imediatamente” largaram tudo e o seguiram, mas nesse caso, não há divergência nas traduções. É imediatamente mesmo.
Fica claro, pelo menos para mim, que, trazendo para os dias de hoje, o sentido dessa perícope é mostrar a necessidade de urgência àquelas pessoas que vão seguir Jesus. Mas que pressa é essa já que estamos há quase dois mil anos de distância do momento em que essas palavras foram ditas e nada de Reino dos Céus entre nós? Talvez nossa percepção de tempo e de presença é que esteja errada.
Acredito que a urgência se dá não porque o Reino de Deus se “instalará” amanhã, mas porque não sabemos se NÓS estaremos aqui amanhã; e, outra coisa, a urgência existe porque há uma carência extrema desse Reino e de seus valores, e justamente nós é que somos seus e suas agentes de implantação; então ele é para ontem realmente, como se costuma dizer.
No exato momento em que os discípulos atenderam ao chamado daquele Galileu, eles também não tiveram esse entendimento, mas com a partida de Jesus e o seu comissionamento (Mc, 16,15), eles perceberam a necessidade urgente da anunciação. E cuidaram.
E como isso nos atinge?
Se somos igualmente discípulas e discípulos de Jesus; se somos, da mesma forma, comissionadas e comissionados, claro que essas palavras se estendem a nós. Precisamos nos apressar também. Mas como?
Se ouvimos o chamado do Mestre; se a Palavra de Deus fez morada em nós; se somos Templos do Espírito Santo; se somos o Corpo de Cristo como Igreja aqui na Terra, somos enviadas e enviados todos os dias às pessoas necessitadas do mundo.
Somos a voz dele para clamar por justiça às que têm sede e fome dela. Somos seus pés para alcançar àquelas que estão à margem (e também marginalizadas) sem entender que a vida é muito mais do que ter dinheiro todo mês para pagar boletos e para comer, beber e vestir. Somos seus braços para abraçar as que estão solitárias, desamadas e carentes de seu amor. Somos seus ouvidos, seus olhos, sua boca…
As pastorais e muitas igrejas entenderam esse recado. Não à toa, em muitas cidades, a população de rua é assistida em suas necessidades mais básicas. Nos presídios, os encarcerados e encarceradas comumente têm seus anseios administrados por muitas pessoas que se dispõem em ir ouvi-los e ouvi-las ou ainda acompanhar seus processos. Nos hospitais e casas de saúde, muitos enfermos e enfermas são consolados, ou ainda tratados, por profissionais da área ou gente voluntária que se interessa por acompanhar caso a caso. Assim também acontece nos orfanatos, casas de abrigo, escolas etc.
Mas você pode dizer que não tem tempo ou que não tem como ir até onde é necessário. Então é bom a gente lembrar: quando Jesus foi aos discípulos, eles estavam indo cuidar de suas próprias subsistências, mas, ainda assim, largaram tudo, portanto, a questão aqui é se a gente acredita nesse projeto ou não.
Se não tem como ir, tem como fazer alguma coisa que possa fazer diferença na vida de alguém ainda que sem sair de casa, e para ontem!
Portanto, todos os dias somos chamados e chamadas porque ele está próximo. É certo que estamos fazendo nossas coisas, mas responder urgentemente a esse convite só depende nós.
Ana Valéria
CEBI-CE
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