Neste Domingo de Ramos somos chamados a uma dura reflexão. De certa forma somos o povo simples que estava na entrada de Jerusalém, sofremos com as vozes da guerra, da violência, somos expostos a discursos de ódio e a pregações que distorcem a religião, mas não estamos sós e nossa esperança não é em vão.
Na leitura inicial, ouvimos o clamor do povo: Hosana (Salvai-nos). Este é um grito que ecoa na história e segue até os dias de hoje. Enquanto os gananciosos disputam o poder e oprimem as pessoas, Jesus segue conosco e não se mostra como um rei terreno ou um líder militar, mas chega a Jerusalém como um profeta.
Na primeira leitura, Isaías nos mostra a ação das forças que geram a morte: o justo é ferido, humilhado e rejeitado, mas ele permanece firme, pois sabe que sua missão é importante e necessária. Deus não é alheio aos nossos sofrimentos e nós não podemos ignorar quem sofre. Sim, é uma missão muito difícil, mas o nosso compromisso é ouvir os clamores do mundo.
Na segunda leitura, Paulo nos fala da forma como Jesus caminhou no mundo. Não procurou o poder, pelo contrário escolheu esvaziar-se a sim mesmo. Nós devemos entender a mensagem: a Salvação não nasce do domínio, mas do amor fiel que não recua diante da opressão, da exclusão e da cultura do descarte…
No evangelho da Paixão, a caminho chega à sua plenitude: Jesus está diante das forças que geram morte, seja o poder religioso ou o poder político. É o encontro do servo sofredor com a natureza distorcida pelo pecado original, que está presente em nossa sociedade onde alguns clamam “Hosana” e outros gritam “Crucifica-o”. Imagino a angústia e a dor de Jesus no Getsêmani. Sua natureza humana pede: Pai afasta de mim esse cálice. Sua natureza divina se esvazia para seguir o plano de Deus, Ele entende a fragilidade humana e acolhe: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Não é uma reprimenda moral e sim o carinho frente às nossas fraquezas. A leitura termina com a morte brutal e humilhante do Senhor, mas sabemos que essa história ainda não acabou.
A todas as pessoas que esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
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