Neste primeiro dia da semana, como dizem os evangelhos, temos uma jornada bem contrastante. No relato do evangelista João, de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena correu para o sepulcro e viu que a pedra havia sido removida (Jo 20, 1).
No relato de Mateus, correram para o sepulcro, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. Houve um grande terremoto, um anjo removeu a pedra e disse às mulheres: “Não temais. Vocês procuram o crucificado? Ele não está aqui, porque ressuscitou, como disse. Ide anunciar aos discípulos. Ele vos precede na Galileia. Lá o vereis” (Mt 28, 5-7).
Passemos agora das mulheres para os discípulos.
“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas por medo dos judeus, o lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo, 20, 19).
Enquanto as mulheres, de madrugada, quando ainda estava escuro, vencendo o medo, correm para o sepulcro…, os discípulos, ao anoitecer, ainda estão trancados num lugar, “por medo dos judeus”.
Jesus entra e, em vez de recrimina-los; tomar satisfação de quem o traiu e vendeu, de quem por três vezes negou que era do seu grupo e mesmo que o conhecesse, de quem — todos eles –, que, na hora da sua prisão, fugiram e o abandonaram, saúda a todos e deseja-lhes:
“A paz esteja convosco”.
“Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: ‘A paz esteja convosco’” (20, 19-20)
A este punhado de discípulos amedrontados, carregados de culpa pelo abandono do amigo, Jesus dá-lhes o encargo de continuar a sua missão:
“Como o Pai me enviou, eu também os envio”
E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse:
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes aos pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo, 20, 21-23)
Tomé que estava ausente deste encontro, recusa-se a aceitar o testemunho dos demais de que haviam visto o Senhor.
Prossegue o evangelista:
“Oito dias depois encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse a Tomé:
‘Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel’.
Tomé respondeu:
‘Meu Senhor e meu Deus’.
Jesus lhe disse:
Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram, sem terem visto!” (Jo 20, 26-29).
Entre os que não viram e em meio às suas dúvidas, creram, estamos todos nós, que temos dificuldade em crer no homem de Nazaré, morto e ressuscitado.
Diante dele, nesta Páscoa, somos convidados a confessar junto com Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”; a cumprir seus mandamentos, sobretudo o do amor fraterno, e a seguir seus passos nas trilhas da justiça, da construção da paz, do cuidado com a nossa Casa comum.
Feliz Pascoa para cada uma e cada um de vocês, seus familiares, comunidades e para toda a sofrida família humana, que busca manter viva a esperança.
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