Reflexão com Pe. José Oscar Beozzo para o Segundo Domingo do Tempo Pascal


Neste primeiro dia da semana, como dizem os evangelhos, temos uma jornada bem contrastante. No relato do evangelista João, de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena correu para o sepulcro e viu que a pedra havia sido removida (Jo 20, 1).


No relato de Mateus, correram para o sepulcro, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. Houve um grande terremoto, um anjo removeu a pedra e disse às mulheres: “Não temais. Vocês procuram o crucificado? Ele não está aqui, porque ressuscitou, como disse. Ide anunciar aos discípulos. Ele vos precede na Galileia. Lá o vereis” (Mt 28, 5-7).


Passemos agora das mulheres para os discípulos.


“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas por medo dos judeus, o lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo, 20, 19).


Enquanto as mulheres, de madrugada, quando ainda estava escuro, vencendo o medo, correm para o sepulcro…, os discípulos, ao anoitecer, ainda estão trancados num lugar, “por medo dos judeus”.


Jesus entra e, em vez de recrimina-los; tomar satisfação de quem o traiu e vendeu, de quem por três vezes negou que era do seu grupo e mesmo que o conhecesse, de quem — todos eles –, que, na hora da sua prisão, fugiram e o abandonaram, saúda a todos e deseja-lhes:


“A paz esteja convosco”.


“Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: ‘A paz esteja convosco’” (20, 19-20)


A este punhado de discípulos amedrontados, carregados de culpa pelo abandono do amigo, Jesus dá-lhes o encargo de continuar a sua missão:


“Como o Pai me enviou, eu também os envio”

E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse:


“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes aos pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo, 20, 21-23)


Tomé que estava ausente deste encontro, recusa-se a aceitar o testemunho dos demais de que haviam visto o Senhor.
Prossegue o evangelista:


“Oito dias depois encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.


Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse a Tomé:


‘Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel’.


Tomé respondeu:


‘Meu Senhor e meu Deus’.


Jesus lhe disse:


Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram, sem terem visto!” (Jo 20, 26-29).


Entre os que não viram e em meio às suas dúvidas, creram, estamos todos nós, que temos dificuldade em crer no homem de Nazaré, morto e ressuscitado.


Diante dele, nesta Páscoa, somos convidados a confessar junto com Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”; a cumprir seus mandamentos, sobretudo o do amor fraterno, e a seguir seus passos nas trilhas da justiça, da construção da paz, do cuidado com a nossa Casa comum.


Feliz Pascoa para cada uma e cada um de vocês, seus familiares, comunidades e para toda a sofrida família humana, que busca manter viva a esperança.


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