Carta aberta a D. João Braz de Aviz

Eminentíssimo Sr. Cardeal
D. João Braz de Aviz,

Saudações em Cristo!

“Sobre ti, Jerusalém, plantei sentinelas” (Is 62,6). Inspirada no grande Profeta Isaías, sinto-me no dever de dirigir a V. Eminência esta missiva. Nós, povo de Deus, vivemos sufocados pela avalanche de maledicência que tem revestido vosso nome e história. Basta uma breve incursão pela internet que somos inundados por publicações, oriundas de pessoas que se dizem católicas, mas não agem como tais. Semeiam joio em meio ao trigo, plantam sementes de divisão, difamam aqueles que consagraram suas vidas ao serviço do Evangelho e da Igreja de Jesus.

Em um passado recente, fomos bombardeados por notícias assustadoras acerca dos Arautos do Evangelho. Impossíveis de se esperar em um contexto de vida religiosa. Infelizmente, mais do que aparentes boatos, o que se confirmou foi escândalo, decepção, atentado ao Evangelho de Jesus. Tive a esperança de que tudo não passasse de mais uma polêmica de internet. Que tudo tivesse origem em pessoas de má fé, que buscavam seus poucos minutos de fama, gerando confusão nos corações incautos. Ledo engano! Os Arautos do Evangelho, de fato, afastaram-se deliberadamente do sonho de Jesus por um mundo mais fraterno e decidiram-se pela aterrorizante política do poder, fama, riqueza. Tudo financiado pela falsa propaganda de fidelidade e tradição. Ao contrário do que os Arautos e seus defensores afirmam, não há sinal algum de santidade no projeto de vida desta instituição. Por trás da piedade e promoção da fé, o que existe é um insano sonho de poder, apego ao luxo e arrogância religiosa. Tais quais os fariseus nos tempos de Jesus, os Arautos hoje querem destruir o Evangelho, plantando sementes de autoritarismo, ganância e discórdia. Nas atitudes dos Arautos do Evangelho, vemos a semente diabólica a germinar, em seu mais fiel sentido etimológico.  Dia-bolos, aquele que divide. Portanto, a quem servem os Arautos do Evangelho? Não a Jesus e a sua Igreja.

Depois que a Santa Sé tomou medidas conciliativas, com a participação de pessoas de grande monta, considerando histórica dedicação à Igreja, vêm estes semeadores de cizânia atacar a imagem de V. Eminência. Como se voluntariamente vos decidisse em perseguir a instituição. Para aqueles que fazem uma breve busca por informações, é sabido que desde o ano de 2011, V. Eminência ocupava a função de Prefeito para o Dicastério para a Vida Religiosa Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Neste sentido, todas as pautas sobre a vida religiosa consagrada estariam sob vossa atenção, por confiança da própria Igreja, que lhe nomeou através da pessoa do Romano Pontífice. A questão dos Arautos do Evangelho vos foi apresentada por responsabilidade ministerial e não por uma escolha voluntária. Neste sentido, é calúnia afirmar que V. Eminência seja inimigo declarado da instituição. Ao contrário, este fardo vos foi imposto em razão dos ministérios que vos foram confiados. Portanto, os Arautos mentem quando vos impõe a alcunha de inimigo e perseguidor. Aliás, uma instituição que prime pela comunhão eclesial nunca estaria sob a preocupação de um Dicastério de forma a buscar soluções sanativas. Só quando se percebe erros que se faz mister eventuais discernimentos ou ações disciplinares. Quem está em comunhão com a Igreja, tem coração dócil quando esta, enquanto Mãe Amorosa, orienta seus filhos e filhas por quais caminhos seguir. E, claramente, os Arautos do Evangelho se embrenharam em um caminho que não conduz ao Reino de Deus. Como Mãe Amorosa a Igreja tem agido desde 2017 para apurar denúncias, esclarecer fatos e corrigir erros. Esta não foi uma decisão de V. Eminência, foi de toda a Igreja.

Passados alguns anos, novamente os Arautos do Evangelho ocupam destaque nas notícias, por postura rebelde, regada a mentiras sobre a legitimidade das ações da Igreja e seus colaboradores. Entre os alvos de calúnia, estão V. Eminência. Por esta missiva gostaria de manifestar minha total confiança em V. Eminência e meu total repúdio aos recentes atos e declarações dos Arautos do Evangelho. Quem conhece V. Eminência sabe que vosso caminhar sempre foi pautado na honestidade de intenções e ações. Vossa vida é incontestável testemunho do Evangelho de Jesus.

D. João Braz de Aviz, V. Eminência tem este resto de Israel ao vosso lado. Nós, que estamos em missão pelo Reino de Deus, dedicando-nos especialmente aos empobrecidos e demais vulneráveis; estamos incondicionalmente ao vosso lado. Vossa Eminência é um ser humano lindo! Quem vos conhece, experimenta Jesus e seu Evangelho. E, perdoe-me a sátira, quem se rebela contra o Reino de Deus, iniciado aqui e agora na Igreja de Jesus, é o Inimigo. De que lado os Arautos do Evangelho estão? Do Reino de Deus, ou dos reinos deste mundo, que buscam insanamente por riqueza, poder e fama? Eles precisam responder a quem servem. Falam de Jesus, mas vivem diabolicamente.

Karina Moreti


Karina Moreti: é bacharel em Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco (2022) e em Comunicação Social – Jornalismo, pelo Centro Universitário Sagrado Coração (2007). Atualmente é jornalista do Blog Eclesialidade & Missão, e assessora movimentos eclesiais. Tem experiência na área de jornalismo impresso, jornalismo televisivo, jornalismo radiofônico e em jornalismo nas redes sociais e blogs. Em teologia, dedica-se ao estudo das Sagradas Escrituras.


Um comentário em “Carta aberta a D. João Braz de Aviz

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  1. Prezada Karina,

    gostaria de agradecer seu texto. Esta carta aberta diz muito do que muitas mães gostariam de dizer. Dom João Braz foi sinal de esperança para muitos pais que tiveram e ainda tem seus filhos nos Arautos do Evangelho.

    Minha filha esteve nos Arautos por alguns anos. Depois de um tempo, percebia que ela estava cada dia mais distante da família. Tudo para ela se resumia a fazer o que Mons. Clá ordenava. Começou a evitar sua família. Dizia que estava segura na Igreja.

    Porém, começou a se cortar. Ficava agressiva. Até que foi hospitalizada. Só nesse momento a família teve acesso. Os médicos diziam que ela precisava de atenção especial de psicólogos. Porém, os Arautos negavam essa necessidade. Fizeram de tudo para convencer que ela não precisava de ajuda alguma, e que a instituição era tudo para ela. E que eu deveria me afastar.

    Minha filha voltou para casa, mas nunca mais foi a mesma. Tem sérios problemas psicológicos que poderiam ser evitados, se não fosse o que aconteceu nos Arautos.

    Desculpe o desabafo. Os Arautos destruíram minha filha por dentro. Essa instituição é um câncer na Igreja e na sociedade.

    Reze por nós, Karina. E continue lutando pelo Bem e pela Paz!

    Maria Angélica Borelli

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