“O que Deus quer?” | Reflexão com Diácono Bernardo Rangel Tura para o 29º Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre os desejos divinos. Eu sei que pode parecer estranho pensar que Ele, que existe fora do tempo e do espaço em uma realidade diversa da nossa, possa querer algo de nós, mas a resposta pode ser surpreendente. O que Deus quer é a humanidade vivendo em plenitude e liberta de todas as opressões.

Na primeira leitura, Isaías nos apresenta um discurso de Deus para Ciro, que habitualmente é discutido como uma visão triunfalista do poder divino e da disposição de Deus em dar poder a uma autoridade. Eu penso o oposto: este texto mostra que o Senhor utiliza seus dons para libertar o povo. Ou seja, não existe poder legítimo que sirva para oprimir, o desejo de Deus para nós é a libertação.

Na segunda leitura, Paulo se dirige à igreja de Tessalônica e elogia a qualidade da vocação afirmando que ela brota da escuta da Palavra e da ação do Espírito Santo, porém muitas pessoas não notam que a evidência disso é: o “esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança”. A verdadeira ação divina é buscar uma sociedade baseada na justiça.


No Evangelho, Jesus afirma: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Esta frase não deve ser lida como uma separação entre as questões do mundo e as da religião, o que Jesus nos ensina são duas coisas. A primeira é que muitas pessoas irão manipular a religião criando falsas questões para seus objetivos pessoais e a segunda é que Deus não quer se envolver conosco numa relação de poder e opressão, onde devemos saldar dívidas e sim numa relação de serviço e amor para libertar as pessoas.

Quanto a nós, vamos a sair no mundo em busca de Reino de Deus. Precisamos criar uma sociedade que busca a solidariedade, o cuidado com a vida e a dignidade – principalmente das periferias sociais e existenciais –. É necessário promover a justiça e a paz, é preciso buscar o diálogo amoroso para conseguir a amizade social, afinal é isso que Jesus nos pediu. Sei que isto pode parece difícil, mas no fim iremos nos sentar numa única mesa na terra sem males.

A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.


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