A Palavra de Deus nos chama a uma reflexão muito especial, que é ao mesmo tempo diferente de outras que já fizemos e um resumo de várias que realizamos nos domingos em geral. Muitas pessoas fazem questão de separar as relações entre nós e a nossa relação com Deus, mas eu penso que não existe esta diferença, pois ambas devem ser baseadas no amor. De fato não existe real amor ao Criador se você não amar profundamente sua criação.
Na primeira leitura, Deus se manifesta ao povo lhes ensinando como devem se conduzir no dia a dia e me chamou atenção que as recomendações são sempre no sentido do cuidado com as populações vulneráveis, sejam o estrangeiro, o órfão, a viúva ou o pobre. O Pai sempre escolhe cuidar dos filhos mais frágeis! Fico pensando: será que não deveria ser assim a nossa conduta?
Na segunda leitura, Paulo nos mostra uma outra visão do mesmo amor. Aqui não se fala dos atos isolados de cada pessoa da comunidade e sim do coletivo, que ouviu a Palavra e escolheu segui-la, optando por acolher todas as pessoas que chegarem. O amor, que foi ensinado como ato individual, deve evoluir para uma comunidade amorosa e inclusiva e novamente fico pensando: como deveria ser a nossa sociedade?
No Evangelho, Jesus é confrontado por uma pergunta maldosa, não é uma dúvida legítima, não é um desejo de aprender ou se tornar melhor… Aqui vemos a resposta que nos mostra o amor integral! Nos chama a amar o Criador de forma máxima, mas isso não é o suficiente. É preciso ir além, devemos amar na mesma intensidade a Criação. Não é escolher entre dois caminhos e sim a afirmação que não se pode trilhar um sem seguir o outro!
Quanto a nós, vamos sair no mundo para proteger a vida e a dignidade humana – principalmente as das periferias sociais e existenciais –, buscando o bem comum e criando uma sociedade justa e pacífica na amizade social e no diálogo amoroso. Se amamos a Deus, precisamos amar as pessoas e a mãe terra e vice-versa. Como comunidade amorosa seguiremos juntos até a terra sem males.
A todas as pessoas que esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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