Nos últimos dias tenho visto pessoas angustiadas com a nossa atual realidade e não posso me furtar de dirigir algumas palavras a todas as pessoas que – de um forma ou outra – fazem parte do povo de Deus e que caminham na estrada da vida pelo mesmo caminho que eu estou seguindo.
Quem segue nas estrada da vida atrás das pegadas de Jesus precisa ter consciência do que vivemos e ter a correta leitura de nossa realidade, para não viver num sentimento de otimismo irreal ou de pessimismo absoluto, nesse sentido é preciso afirmar 5 princípios básicos
Eclesial não é eclesiástico! Somos pessoas maduras na fé mas inseridos num contexto social e histórico, por isso é necessário entender a diferença entre a fé que professamos e vivemos e a instituição que participamos. O corpo místico de Cristo existe sem a esta instituição em que estamos inseridos de formal pessoal e comunitária. Precisamos aprender a separar o que é fé do que é instituição. Muito presbíteros e bispos vivem mais para o aspecto institucional (eclesiástico) do que o aspecto religioso (eclesial). Quem se dedica a instituição cresce na instituição isso é lógico, porém a expressão eclesiástica não significa mais ou menos fé
Nossa vida é importante! Somo pessoas, somos maridos, mães, pais, irmãos, tias, avós e avôs, temos familiares e amigos e não raro muito dependem de nós, inclusive de forma financeira, cada ação nosso pode ter impactos grandes nessa pequena comunidade. Pouco de nós podem dizer que estão tranquilos na sociedade ou que podem se expressar livremente sem sofrer com a violência dentro de sua comunidade ou com a represália eclesiástica
Somos ovelhas e não lobos! Seja como leigos ou como diáconos não temos autoridade eclesiástica e, se por um lado isso é desejável pois tem haver com nossa razão primeira, por outro é muito difícil pois sabemos que não temos nenhuma proteção contra ações ou sanções que nos possam ser aplicadas por pessoas ou autoridades com um viés sociopolítico
Somos o resto de Israel! Nossa visão de mundo e nosso compromisso de Fé nos fez escolher um caminho juntos às minorias abraâmicas, isso é lindo mas profundamente doloroso. Estar junto dos excluídos e marginalizados, ser radicalmente a favor da vida e da dignidade humana é nosso lugar no mundo e na igreja, porém não vamos nos enganar: Aqui é o lugar da dor e do sofrimento, seremos desprezados, humilhados e massacrados. Foi assim no passado, é assim atualmente e será assim no futuro. Porém este também é o lugar da esperança e compromisso com o plano de Salvação , nesse lugar é que se encontram os maiores da Fé. aqui estiveram Isabel e Maria, os apóstolos, Maria Madalena e Maria de Cleófas, os sete primeiros diáconos e as diaconisas, estiveram padre Josimo e irmã Dorothy
Somos soldados derrotados de uma causa invencível! Buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça não é algo fácil e nem é desejado pelos ricos e poderosos, por isso a maior chance em nossas vidas é a da derrota! Porém nosso derrota não ocorre porque nossa causa é errada ou porque nosso métodos são perversos e sim porque nossa vitória se realiza na Eternidade. Não devemos desanimar cada pequeno passo dado é muito bom para muitas pessoas e sempre iremos progredir! Porque o Reino virá! Eu não sei como mas o Reino virá! Eu não sei quando mas o Reino virá! Nesse dia iremos todos nos levantar com nossos corpos marcados pelas feridas da caminhada mas terá valido a pena chegar na Terra sem males.
Diácono Bernardo Rangel Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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