O púlpito que dói | Uma Reflexão de Pe. Zezinho, SCJ


Não fizemos nada mais do que nossa obrigação! Somos servos que perderam sua utilidade para aquela função! Mas continuaremos a servir de outro jeito… ( Jo 12,16; Mc 8,35; Lc 17,10)

Desde que fui ordenado sacerdote católico, fiz de tudo para obedecer. Era um dos três votos que prometi cumprir .

Falando futebolisticamente, já joguei no primeiro time, já fui deixado na reserva e já fui despedido de algumas emissoras católicas .

Desde o Vaticano II entendi que a Igreja Católica estava mudando. A cada novidade eu obedecia. Fui ordenado sacerdote numa Igreja em processo de mudança! Aceitei o desafio.

E foi assim que nunca pedi nenhum lugar na mídia, nas editoras, nas gravadoras, nas TVs, nas Rádios e nas empresas de Igreja Convidado, eu ia; despedido, eu me despedia.

Não fui convidado para aparecer, mas para servir. Sendo útil, eu estava lá. Cessada a utilidade naquele meio, eu saia de mala e cuia! Sempre haveria alguma função para mim!

Parei de falar em quatro emissoras de TV e em sete emissoras de Rádio. Era direito deles que seguissem sua própria linha de espiritualidade. Acentuavam o louvor e eu acentuava a doutrina. Estava tudo na Bíblia e no Concílio.

Eu era divulgador do CVII e da DSI. Eles tinham outra visão de Igreja. Decidiram ensinar a orar e a divulgar devoções. Era direito deles! Nossos acentos pastorais diferiam, mas éramos grandes amigos. Os enfoques não atrapalhavam nossa fraternidade .

A luta pelos direitos de Deus nunca atrapalharam nossa luta pelos Direitos Humanos. As vertentes eram as mesmas!

Houve parcerias que duraram 50 anos, outras 30, outras 15 e outras seis meses. Mudada a direção por razões políticas e religiosas, a amizade continuou a mesma, mas eu voltava para outras funções. Padre sempre tem recursos pastorais. Afinal, nunca me convidei para ir lá. Eles me chamavam .

Convivi com líderes conservadores e avançados porque dialogar exige isto!

Porque escrevo isso? Porque vi bispos, cardeais, superiores, professores, freiras, diretores, dioceses e de firmas católicas fazendo exatamente o mesmo.

O conselho é de Jesus. Se elogiados, digam humildemente: “não fazemos mais do que o nosso dever!” Sou de uma Igreja que age como um enorme rio. Há cachoeiras, corredeiras, remansos, diques, lagos, mas suas águas não retornam à nascente. Buscam a foz e sempre desembocam no oceano.

Aprendi a respeitar corredeiras e remansos da vida e da Igreja. Não tenho medo de mudanças nem de represas. Sei onde as águas terminam!… Mas muitas vezes os barcos eram deles! E nunca esqueci isto. Sempre fui hóspede.

Então, nunca pedi que me chamassem. Quem me chamou, foi gentil. Também nunca cobrei para colaborar. Nunca assinei contrato. Era coisa de irmão! Eles tinham despesas enormes. Eu não cobrava nem o combustível. Tinha os direitos de autor pelos livros e canções! Terminada minha missão naquele veículo eu sempre tinha o que fazer como sacerdote!

Os holofotes, as câmeras e os microfones nunca me encantaram. Havia estrados, cátedras, computador, povo nas ruas, hospitais, cursos para ministrar como é o caso de 90% dos pregadores católicos.

Mídia, holofotes e palco é coisa para poucos e para quem acha que tem este chamado. E chega o dia de ceder o lugar para os novos que aceitam aqueles holofotes. Todos eles conhecerão, a seu tempo, as dores da notoriedade, do púlpito e dos holofotes!… Doeu para Jesus e para os apóstolos.


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