A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre o próprio significado da ação da igreja no mundo. Temos a tendência de penar em estruturas especiais com nomes imponentes e títulos hierárquicos, mas Jesus nos chama a ser um rebanho de simples ovelhas, onde Ele próprio é pastor e ovelha, pois nesse redil o que nos diferencia é como nos pomos a serviço das pessoas, da justiça e da paz.
Na primeira leitura, Pedro faz um discurso profético onde denuncia a crucificação de Jesus e anuncia o Reino de Deus, que acolhe todas as pessoas e quem escolhesse seguir com eles não seria menor, pois receberia os mesmos dons do Espírito Santo.
Na segunda leitura, Pedro nos fala sobre o que nos torna agradáveis a Deus: fazer o bem. É interessante pensar que a forma como convivemos é o nosso compromisso, mas Pedro não nos deixa viver fora da realidade e nos fala que isso levará ao sofrimento, pois há pessoas que preferem fazer o mal aos outros e elas reagirão contra nós. Nossa reação não pode ser agressiva, devemos ser ovelhas e não lobos, nós seguimos o pastor que escolheu ser ovelha.
No Evangelho, Jesus nos fala sobre o pastor e o ladrão. Um entra pela porta, o outro não e aqui há uma questão que passa despercebida por muitas pessoas: Jesus se mostra como porta! Seu primeiro compromisso é cuidar e proteger todas as ovelhas do rebanho e garantir que outros pastores – que seguem seu exemplo – possam guiar o rebanho, porém ele vai além, enquanto alguns vêm para “roubar, matar e destruir”, Ele veio para que todas as pessoas “tenham vida e a tenham em abundância.”
Quanto a nós, vamos sair no mundo como ovelhas, que reconheceram a voz do pastor-ovelha e que denunciam os que só querem a violência, a opressão e a morte. Nosso clamor é pela vida em abundância para toda as pessoas, começando por aquelas das periferias sociais e existenciais. É preciso criar uma sociedade justa, com diálogo amoroso, cuidado com a casa comum e inclusão radical. Será um caminho longo e difícil para nosso rebanho de simples ovelhas, mas valerá a pena chegar na terra sem males.
A todas as pessoas que esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
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